segunda-feira, 4 de junho de 2012

Câmara pode facilitar acesso a remédios contra dores do câncer

Em sessões ordinárias, Plenário poderá analisar quatro MPs que trancam a pauta.

Na semana de Corpus Christi, a Câmara pode votar o Projeto de Lei 3887/97, do Senado, que facilita o acesso a medicamentos de controle da dor para pacientes com câncer no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria pode ser votada em sessão extraordinária se houver acordo entre os líderes de partidos. As sessões da semana acontecem na terça-feira (5) e na manhã de quarta-feira (6). De acordo com o projeto, a doença deverá ser comprovada por laudo médico assinado também pelo diretor clínico da instituição ou hospital onde ocorrer o tratamento. O programa especial de controle da dor oncológica, previsto no texto, será instituído pelo Poder Executivo e os pacientes terão de possuir cadastro em farmácia hospitalar. A matéria já conta com pareceres favoráveis das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e de Seguridade Social e Família.

Imóveis 

As sessões ordinárias continuam trancadas  por quatro medidas provisórias. Entre elas, destaca-se a 561/12 , que transfere a propriedade de imóveis financiados pelo programa Minha Casa, Minha Vida para a mulher em caso de separação, divórcio ou dissolução de união estável. Segundo dados do programa, 47% dos contratos da primeira etapa foram assinados por mulheres. A nova regra não será aplicada, no entanto, quando o casal tiver filhos e a guarda deles após a separação for dada exclusivamente ao pai, que ficará então com o imóvel.

Educação

Outra MP pautada (a 562/12) contempla com recursos do Fundeb  as instituições comunitárias ligadas ao ensino no campo e faz várias mudanças no setor de educação. Os recursos do fundo poderão ser repassados por alternância aos centros familiares de formação, organizados a partir de associações de agricultores familiares sem fins lucrativos. A MP também prorroga até 2016 a destinação de recursos do Fundeb para pré-escolas conveniadas com o Poder Público e que atendam a crianças de 4 e 5 anos de idade.

Dívidas e créditos

Outra medida provisória a trancar os trabalhos é a 559/12, que autoriza a Eletrobras a assumir o controle acionário da Celg, companhia de distribuição de energia elétrica de Goiás, cuja dívida chega a R$ 6,4 bilhões. Já a MP 560/12 concede crédito extraordinário de R$ 40 milhões ao Ministério da Defesa para trabalhos de remoção dos escombros da Estação Antártica Comandante Ferraz, destruída por um incêndio em 25 de fevereiro deste ano.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – João Pitella Junior

Publicado ato da Comissão Diretora que oficializa divulgação de salários de servidores e parlamentares do Senado


Os salários dos servidores e parlamentares do Senado passarão a ser divulgados ao público a partir de 31 de julho, de maneira individualizada, no Portal da Transparência da Casa. A decisão foi expressa pelo ato nº 10, publicado nesta sexta-feira, formalizando definição de ontem em reunião da Comissão Diretora, comandada pelo presidente José Sarney. Segundo o diretor da Secretaria Especial de Comunicação Social do Senado, Fernando Cesar Mesquita, a forma da divulgação está sendo acertada entre Senado, Câmara e Tribunal de Contas da União que devem seguir o mesmo padrão: "A intenção é divulgar tudo", disse. Abaixo, íntegra do ato publicado no Boletim Administrativo Eletrônico de Pessoal (BAP) nº 4987.

ATO DA COMISSÃO DIRETORA DO SENADO FEDERAL Nº 10, de 2012

Altera o Ato da Comissão Diretora nº 9, de 16 de maio de 2012, para dispor sobre a divulgação da remuneração, proventos e subsídio recebidos por parlamentares e servidores.

A COMISSÃO DIRETORA DO SENADO FEDERAL, no uso de suas atribuições regimentais

Considerando que a
Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, assegura a divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações, com a utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação;

Considerando o entendimento recentemente adotado no âmbito da Administração Pública Federal de que os dados relativos à remuneração e proventos pagos pelo Estado são de interesse público;

Considerando a necessidade de disciplinar o modo de divulgação dos referidos dados, tendo em vista que, de acordo com o art. 31 da Lei nº 12.527/11, o tratamento das informações pessoais deve ser feito com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais;

RESOLVE:

Art. 1º O art. 6º do Ato da Comissão Diretora no 9, de 16 de maio de 2012, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:

"Art. 6º .................................................................

Parágrafo único. Será implementada no Portal da Transparência do Senado Federal, em 31 de julho de 2012, seção específica para a divulgação das informações relativas à remuneração e subsídio recebidos por parlamentares e servidores efetivos e comissionados, de maneira individualizada, conforme ato do Primeiro-Secretário." (NR)

Art. 2º Este Ato entra em vigor na data de sua publicação. Sala de Reuniões, em 31 de maio de 2012. Senador José Sarney - Presidente, Senador Waldemir Moka - Segundo Vice-Presidente, Senador Cícero Lucena - Primeiro-Secretário, Senador Ciro Nogueira - Quarto-Secretário, Senador Casildo Maldaner - Primeiro Suplente de Secretário, Senadora Vanessa Grazziotin - Quarta Suplente de Secretário.

Observações:
- Publicação extraída do Boletim original nº: 4987 de 01/06/2012

Mais Informações:


Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado  

Coluna "Argumentos"

Tocante

Os filhos do ex-governador Janary Nunes estiveram ontem no Conexão Brasília, programa que vai completar cinco anos no ar neste ano. Foi um show de emoções e de muito reconhecimento à figura do primeiro governador do Amapá, que está sendo homenageado no seu centenário. A coluna agradece à Nira Brito e Douglas Lima pela ajuda.

Na Capital

Ainda a respeito dos cem anos do nascimento de Janary, a coluna vai cobrir em Brasília a sessão conjunta do Congresso Nacional que prestará as homenagens da República a este valoroso homem público que governou o Amapá logo quando se deu a separação do Pará. Rudá, Guaracá e Janary terão que ter forças para segurar a emoção.

Explicação

A entrevista que os irmãos deram no rádio ontem também foi marcada por muita descontração e o riso rolou frouxo. Agora, teve uma questão levantada pelo colunista que os herdeiros de Janary prometem apurar: a história de Rudá de saia no Teatro das Bacabeiras. “Foi pela arte”, diz o nosso dileto amigo.


Literatura

Nos próximos dias chega a Macapá o livro “A vida de João Paulo II - Karol Wojtyla, de Cracóvia a Roma”, lançado no Brasil pela Editora Corvara. O presidente da empresa, Carlos de Colón, presenteou o colunista com um exemplar. Para informações e pedidos o e-mail é vendas@corvara.com.br.

Modelo Dilma

Em tempos de Comissão da Verdade, a presidente Dilma Rousseff já teria determinado a seus comandantes militares que dessem a maior transparência possível às suas ações. O que vê agora é uma constelação de generais, brigadeiros, almirantes e por aí afora, muito mais solícitos ao papel da imprensa de informar. A sociedade, penhoradamente, agradece.

Sem nome

É preciso reconhecer os esforços da Prefeitura para sinalizar as ruas de Macapá. Mesmo assim, ainda figuramos entre as piores capitais do país neste quesito, segundo estudo divulgado pelo IBGE. Só perdemos para Maceió, com 21% de identificação, seguida de Belém, com 35,5%. Macapá tem 36,6% de identificação. A média nacional é 60,5% de ruas identificadas.

Só festa

Ocorre neste domingo a eleição e posse da primeira diretoria do Bloco Carnavalesco Dá e Come, criado por ex-moradores e apoiado por gente que ainda reside em Serra do Navio. O nome vem da Icomi, antiga mineradora que construiu a vila modelo em pleno coração da floresta. O padre da paróquia certamente não foi ouvido para a escolha, mas em se tratando de carnaval...

Vale a pena

Muita gente que faz sucesso em algum tipo de empreendimento diz ter tido excelentes dicas e projeções a partir de um seminário que é a cara do Sebrae, o Empretec. Então saiba que estão abertas inscrições para mais uma edição do treinamento. Projetado pela ONU, busca capacitação intensa e desenvolvimento do potencial empreendedor. Entrevistas a partir do dia 11 no Sebrae.

Presidência do Senado

Segunda-feira - 04/06/2012

10:00 - Sessão Solene do Congresso Nacional, destinada a comemorar o centenário de nascimento de Janary Nunes, pioneiro e primeiro governador do Amapá

12:30 - Almoço oferecido pela presidente Dilma Rousseff em homenagem ao Rei Juan Carlos I, da Espanha

Debatedores consideram regularização fundiária da Amazônia ‘desafio faraônico’


O secretário extraordinário de Regularização Fundiária na Amazônia, Sérgio Roberto Lopes, afirmou, nesta sexta-feira (1º), que o desafio da regularização fundiária na Amazônia tem uma “dimensão faraônica”. A afirmação foi feita durante audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), com o objetivo de discutir o Programa de Regularização Fundiária na Amazônia Legal (Terra Legal) com foco na regularização rural. O representante do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) apontou, entre os entraves do processo, o alto custo de fazer o georreferenciamento, a falta de competência técnica no mercado e a dificuldade de acesso a algumas regiões.
- A Amazônia tem o seu próprio calendário, hoje você não vai a algumas regiões do estado porque têm água. Daqui uns dias você não vai porque o Igarapé secou. Então o período de trabalho mais livre são de seis meses por ano quando tudo corre bem – explicou.
Sérgio Roberto Lopes ressaltou que além do desafio da titulação é necessário fazer um levantamento das pessoas que já têm documento das terras, mas cujos títulos não possuem validade atualmente. Ele disse que é um grande desafio esclarecer os produtores no que diz respeito a essa questão.
- Ele se orgulha daquele título. Só que ninguém disse para ele que ali não era o ponto final; ali era apenas uma estação do desafio de chegar a ser dono de uma propriedade – explicou.
Diante de tantas dificuldades, Sérgio Roberto Lopes disse que ainda não é possível estabelecer metas de tempo e resultados para que a regularização fundiária seja feita em todo o território. Entretanto, ele afirmou que o Programa Terra Legal já está avançando e que o processo de titulação está sendo simplificado a fim de obter uma maior rapidez. Ele ressaltou também que esse trabalho só é possível com a integração dos estados e municípios e disse que um dos desafios é fazer com que boa parte dos problemas se resolva no próprio estado de origem sem que os processos tenham que ir até Brasília.
- Sem regularização fundiária não existe desenvolvimento econômico e nem paz no campo – disse.

Estado patrocinou ocupação

O representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Richard Torsiano Martins, disse que não é possível apresentar soluções sem entender a origem dos problemas. Ele explicou que o fluxo de ocupação da Amazônia ocorreu patrocinado pelo Estado e também por conta própria das pessoas, que foram para a nova região em busca de melhores condições de vida. Richard Torsiano Martins disse que a consequência desse processo de ocupação desregrada é “uma verdadeira desordem fundiária em algumas regiões da Amazônia”.
- Não houve um processo de acompanhamento ou controle da ocupação do território da Amazônia e muito menos de regularização fundiária de quem efetivamente estava ocupando – explicou.
Richard Torsiano Martins destacou que o primeiro passo necessário para que um estado tenha controle sobre a sua estrutura fundiária é conhecê-la efetivamente. Ele frisou que as intervenções do estado devem ser adequadas à realidade do povo e do território.
- O maior símbolo da complexidade do Programa Terra Legal é a dificuldade dos próprios governos estaduais operarem a regularização das suas terras porque eles são, em tese, compostos por pessoas daquela mesma região e tem uma estrutura já consolidada ali - disse.
Márcio Mota, diretor do Departamento Jurídico do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), destacou a importância do programa no quesito de titulação e disse que o Pará é o estado “campeão nas titulações”. Ele explicou que houve uma desburocratização de alguns serviços por parte do Iterpa, o que permitiu um melhor desempenho da região.
Márcio Mota questionou o rompimento do convênio entre o Incra e o Iterpa, que previa um repasse de recursos para a autarquia, utilizados para fazer o pagamento das diárias dos servidores do Iterpa quando se deslocavam para fazer trabalho de campo para o Terra Legal. Atualemente, disse, o Iterpa está conduzindo esse trabalho com recursos próprios.
O presidente da CRA, senador Acir Gugacz (PDT-RO), chamou a atenção para a importância do tema em debate, afirmando que de nada adiantará ao país um código florestal moderno e que atenda as necessidades da agricultura se as terras não estivem regularizadas. Ele assinalou que, além dos conflitos que essa situação de insegurança jurídica tem gerado, ela foi um dos motivos para o desmatamento ilegal que ocorreu no passado na Amazônia e que corre o risco de se manter se não houver a regularização das terras.

Agência Senado

Collor defende novo sistema de produção e consumo para evitar catástrofe ambiental


O senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), recebeu a Agência Senado e a TV Senado em seu gabinete na tarde da última quarta-feira (30), para uma entrevista sobre a Conferência Rio+ 20. Autor do requerimento para que o Brasil sediasse a conferência, o parlamentar mostrou sem medo suas opiniões, as quais, segundo ele próprio, não seguem o mainstream (corrente central) do debate esperado para a cúpula que pretende reunir dezenas de chefes de Estado e de governo no Rio de Janeiro, este mês. Na opinião dele, é necessário que o mundo encontre uma alternativa para a produção e o consumo que não esteja calcada nos sistemas econômicos já colocados em prática, seja à direita ou à esquerda.
O senador enfatiza sua esperança de que a sociedade civil seja a protagonista das mudanças de comportamento esperadas para salvar o planeta. Mas também disse esperar bastante dos posicionamentos tomados pela China na Rio+20. O ex-presidente relatou ainda suas memórias sobre a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como Eco 92 ou Rio 92, realizada na mesma cidade, 20 anos antes, e que foi por ele presidida. Revelou que esteve disposto a se plantar na porta da Casa Branca, se fosse necessário, para conseguir o compromisso do então presidente George Bush, pai, de vir ao Rio de Janeiro. E isto com a conferência já em andamento. E se emocionou ao falar dos resultados da Eco 92.

Confira os melhores momentos da entrevista:

A conferência Rio+ 20 pode ser um bom negócio para o Brasil? Como ocorreu em 1992, o país pode conseguir, ao sediar a conferência, financiamentos necessários para garantir esse desenvolvimento sustentável?

Minha posição não está muito no mainstream (corrente central) do debate. Nós chegamos na situação que chegamos, com o planeta à beira do abismo, à beira dessa grande catástrofe que irá acontecer se não tomarmos providências urgentes, graças a modelos que estão aí implantados, modelos esses que vão do socialismo de Estado mais radical ao capitalismo mais selvagem. Todos esses modelos se mostraram absolutamente ineficientes e insustentáveis. Nós estamos agora tratando da questão da sustentabilidade porque os modelos econômicos adotados pelas diversas economias dos países que compõem o globo terrestre deram sinais claros e evidentes de que são modelos econômicos falidos, que não se coadunam com as necessidades da sobrevivência da vida em nosso planeta.
Partindo desse princípio, acho que esses recursos, com o intuito de ajudar países em desenvolvimento a resolverem problemas ambientais que estejam vivendo naquele momento, provenientes de economias com modelos não sustentáveis, significa, primeiramente, aceitar esses modelos como válidos; e, em segundo lugar, retroalimentar a cadeia.
Então, o que digo está um pouco fora do que a conferência deseja tratar, porém eu não poderei deixar de levantar este tema para ser discutido: de que nós precisamos, em primeiríssimo lugar, mudar esses modelos econômicos, os termos de produção, desenvolvimento, consumo, que vêm num crescente absurdo, e que nós não temos nenhuma dúvida de que, a continuar assim, não haverá salvação para o planeta.
Estima-se que, em 2050, o mundo tenha mais de nove bilhões de habitantes e que o planeta não teria condições de suportar a manutenção desse acréscimo de pessoas, de população, porque há limites. Temos de ter noção de que temos limites para produzir, para crescer, que não pode ser da forma como nos encontramos. Mas há a perspectiva também, com a recuperação econômica da Europa, dos Estados Unidos e a continuidade do crescimento de países emergentes, que classes sociais fora da escala de consumo ascenderão a uma classe que vai fazê-las consumidoras. E aí não se trata de explosão demográfica: se trata da explosão de consumo, por meio da ascensão social de classes desfavorecidas, que o crescimento econômico de seus países lhes deu oportunidade, como aqui no Brasil, onde 30 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza e ingressaram na classe de consumo.
Tem seu lado benéfico essa ascensão, porque não fosse esse mercado interno fortalecido pela ascensão dessa camada da população, talvez não tivéssemos superado, como superamos tão bem, a crise iniciada em 2007. Mas teremos, então, antes de 2050, mais 3 bilhões de consumidores.
Se estamos falando que esses modelos econômicos são insustentáveis, vocês podem entender o tamanho da briga que eu e outras pessoas que pensam como eu temos para colocar ou responder a uma pergunta que eles vão fazer muito bem: então, se não é este modelo, qual é o modelo que vocês sugerem?

Como quebrar este paradigma? Como fazer para convencer um indiano, ou um chinês, que ele não poderá ter um carro, que não vai ter o padrão de consumo consagrado no modelo capitalista ocidental do hemisfério norte?

Este é um grande problema. E aí a questão vem da consciência planetária. O sucesso da conferência da Rio+20 não vai depender somente dos chefes de Estado que compareçam, ou dos resultados de ordem prática, como as convenções, entendimentos, acordos e tratados que eventualmente sejam assinados por todos os países. Vai depender muito mais da participação ativa da sociedade civil. E isto vai nos dar a ideia do engajamento consciente que a sociedade civil tem hoje na defesa de um novo modelo de desenvolvimento que não seja nenhum dos que foram citados e comece a se conscientizar de que esse modelo começa a ser construído a partir de cada um de nós.
Se nós, por exemplo, estabelecermos para nós mesmos mudanças nos hábitos, desde a questão do consumo, até o questionamento: se posso ir de bicicleta, porque vou dirigindo meu carro? Se tenho um transporte público de boa qualidade na minha cidade, porque não vou utilizá-lo?

A transição desse modelo, da economia marrom para a economia verde, tem um custo. Quem vai pagar este custo, o governo ou o setor privado?

No Brasil, pessoas reclamando que supermercado não dá mais sacola de plástico, que servia para colocar o lixo. Mas qual o destino final da sacola? Era jogada no aterro. Começa por isso, por coisas simples. Não aceitarmos mais sacola de plástico. A questão da reciclagem é outra coisa que pode funcionar muito bem. No Brasil, temos uma carência, não precisa governo se meter, a própria iniciativa privada ocupa este espaço. Quando ela vê que determinada atividade, sobretudo uma atividade verde, gera lucros para quem investe numa unidade de reprocessamento, ela própria vai investir.

Mas forçar a indústria a produzir produtos mais sustentáveis em escala, tem um custo maior...

A sustentabilidade passa pela ciência, pela tecnologia, pela inovação. Isso é fundamental, indispensável. O programa Ciência Sem Fronteiras, com 150 mil bolsas de estudos para jovens estudarem fora, principalmente na Europa, onde já existe uma maior consciência da questão ambiental, tudo isso ajuda. E [esses jovens] estão indo estudar preferencialmente em áreas técnicas, o que vai agregar conhecimento quando de seu retorno ao Brasil.
Os próprios empresários vão se dar conta. Anos atrás, tínhamos o hábito de ver pessoas fumando, nas propagandas de televisão, nos filmes. Era um sinal de status, de elegância, de encantamento, de glamour. Hoje, quando vemos alguém fumando, achamos esquisito. Ficou ultrapassado. Além de fazer mal a saúde. Isto é hábito. Então, são hábitos que precisam ser mudados. E a indústria do tabaco quebrou, desempregou gente? Não, ela se adaptou, ela se reinventou.
É isso que precisamos fazer cada um de nós. Temos de procurar tirar, o mais que pudermos, os governos disto. Não podemos esperar por governos, porque quem patrocinou esses modelos econômicos foram os governos. A sociedade civil tem de dar o primeiro passo e o governo vem atrás. Vou mais nessa linha, da participação voluntária de uma sociedade civil plenamente consciente do perigo que o planeta corre, da sua própria vida, do perigo para as gerações que virão, de levarmos o planeta a falência.

Qual o papel que o senhor vê para as mídias sociais, as novas mídias, neste maior engajamento da sociedade civil?

São importantíssimas. Elas têm uma força catalisadora enorme. Em 48 horas, havendo um network de redes sociais voltadas para a questão da sustentabilidade, rapidamente isto pode dar resultados, com a troca de informações entre as pessoas, inclusive de diferentes países.

As redes sociais podem fazer toda a diferença? Na Rio 92, foi introduzido o cartão telefônico, que sepultou as fichas telefônicas. Essa será a conferência dos tablets e das redes sociais. Essas vozes vão conseguir sensibilizar a plenária, mudar um documento já praticamente pronto?

Não tenho dúvida. Vai mudar. Em 20 anos, o Brasil quadruplicou sua produção de grãos utilizando a mesma área plantada. Houve o ganho em função da pesquisa, da ciência. Conseguiu-se produzir mais alimentos em menor espaço. Isso é um processo de sustentabilidade. Nosso problema é que essa agricultura é sustentável, do momento em que a gente lança a semente no solo até a porteira da fazenda. Aí vem outro problema, que já não é tão sustentável, do transporte. Uma das ações de governo pode ser exatamente esta, melhoria da infraestrutura, das estradas, dos portos.

Uma mudança de paradigma precisa de uma energia muito grande. O senhor disse que é preciso se afastar dos governos. Mas como essa mudança de paradigma pode acontecer, com a renitência de países muito importantes e populosos, como China e Estados Unidos, que já deram mostras que não pretendem aderir a propostas de desenvolvimento sustentáveis mais ousadas? Como essa mudança de paradigma pode vir apenas pela sociedade civil?

Modus in rebus [frase do poeta romano Horácio, que significa que deve haver uma medida justa para todas as coisas], modus in rebus. Não vamos generalizar em relação a esses países. A China, há 20 anos, tinha 80% de sua matriz energética baseada na queima de carvão. De lá pra cá, construíram uma gigantesca usina hidrelétrica – a usina de Três Gargantas – e recentemente implantaram 600 mil torres de captação de energia eólica.
Era necessário também muito transporte. No Brasil, estamos há dez anos discutindo o trem-bala. Na China, em três anos, construíram 3 mil quilômetros de trens de alta velocidade ligando os principais pontos do país. E ainda fizeram mais: perceberam que a velocidade era muito alta e, naquele nível, prejudicava o meio ambiente. Reduziram essa velocidade em 16% para minimizar os efeitos.
Imaginam o que significa essas centenas de milhões de pessoas que trafegavam em ônibus e carros precários, gerando emanações de carbono, e agora andam em trens modernos. Hoje, o carvão participa de sua matriz energética em pouco mais de 20%. E lá foi o governo.

É possível incluir China e Estados Unidos na assinatura de um acordo global?

Resposta: Eles estiveram em 1992 e assinaram. Hoje, teríamos um pouco mais de dificuldade para isto. As grandes economias sentem uma dificuldade muito grande de se comprometerem com metas. Querem fugir disto. Daí o governo brasileiro ter colocado, acho que de forma muito apropriada, que a Rio+20 não venha a ser uma conferência em que os países fiquem acusando uns aos outros de não terem cumprido seus deveres de casa, ou de não terem aplicado o que estipulava a Agenda 21. O que o governo brasileiro sugere é que esta conferência seja palco de um ambiente de reflexão, de cada chefe de Estado e de governo. De cada um deles dizer: “o que eu posso fazer para melhorar aminha situação no campo energético? Quem tem experiência nisto? Quem tem experiência na redução de emanação de carbono?” E haver este compromisso tácito de que, mais do que uma obrigatoriedade, há uma necessidade da sua própria sobrevivência, fazer alguma coisa.
Estamos todos numa mesma casca de ovo. Não é a questão dos Estados Unidos ou da China, se assinam ou não determinado acordo. O que precisamos é acordar a sociedade planetária para que ela aja, e aja em consequência. E, ela agindo, fará com que os governos se movam.
Quando foi dito que o presidente Barack Obama poderia não vir à conferência – o que fará a conferência perder muito em peso político – lembrei que, em uma entrevista, acreditava que ele pudesse vir, porque foi eleito presidente da República por uma geração a quem ele estará legando seu país e, consequentemente, o planeta. Ele teve um fund raising extremamente elevado pela participação de jovens, tanto que conseguiu arrecadar mais recursos que o candidato do Partido Republicano, que é tido como o partido das grandes corporações e, portanto, do poder econômico. Foram esses jovens, idealistas, sonhadores, que fizeram dele presidente dos Estados Unidos. Então acho muito difícil ele ter uma resposta, caso não atenda um convite para vir à Rio+20, se, durante a conferência, ele estiver em um comício em, por exemplo, Kansas City, e alguém diga: “Presidente, o que o senhor está fazendo aqui, hoje? O senhor não deveria estar no Rio, onde está sendo discutido o futuro do nosso país, do nosso planeta?” Então, acho que haverá, por parte dele, a consciência que a presença dele é muito importante, até para colaborar com a sua eventual reeleição. Exatamente por ser um período eleitoral, acho que a pressão da sociedade civil americana organizada, dessa juventude que está nas redes 24 horas por dia, irá fazer com que presidente Barack Obama venha. E seria muito bom que ele estivesse com o presidente da China. A China vai chegar aqui com muita coisa boa pra dizer. Não é à toa que a China tratou, nas negociações nas Nações Unidas, para que o secretário-geral da conferência fosse um chinês.
Por outro lado, o secretário-geral da Eco 92, o canadense Maurice Strong, uma extraordinária figura, 20 anos depois de ele ter feito o excelente trabalho que fez, o primeiro-ministro do Canadá diz que não virá por não concordar com a agenda estabelecida pelas Nações Unidas para a Rio Mais 20.
Também acho a agenda muito estreita, muito curta. Economia verde, e inclusão social e erradicação da pobreza e governança global. Aliás, inclusão social e erradicação da pobreza entraram por sugestão do Brasil, a proposta inicial era muito seca. Se ficarmos nesses dois temas [inicialmente propostos], meu receio é que economia verde passe a ser o novo nome do atual protecionismo comercial, como já afirmei, e que a governança global venha a ser o organismo que vai arbitrar essas disputas de saber se o produto é oriundo de uma economia verde, que a gente não sabe ainda qual sua definição exata, ou não.
Então nós temos de elastecer, por isso digo que não estou neste mainstream, estou numa linha mais de alternativa de discussão.

O senhor presidiu a Conferência da Rio 92. O mundo vivia uma outra época, vinha da queda do muro de Berlim. O que foi assinado naquela época produziu efeitos concretos? Qual a herança da Rio 92?

A Eco92 marca um divisor de águas no planeta, antes e depois da conferência. Nela, alcançamos o consenso em torno de questões essenciais para a sobrevivência no planeta. Assinamos o Tratado da Biodiversidade, a Convenção do Clima, a Agenda 21 e vários outros documentos que ficaram como um marco regulatório, ou de referência, para que todos os países signatários desses documentos pudessem fazer seu dever de casa. Ou seja, todo o mundo saiu do Rio, em 1992, tomando conhecimento dos problemas que o mundo vivenciava naquele instante, e com uma agenda do que fazer para tentarmos salvar o planeta. Mas não com a urgência em que hoje nos encontramos.
Era um outro momento, como foi dito, as circunstâncias eram completamente diferentes, não imaginávamos que 20 anos depois poderíamos estar realizando aqui no Brasil a Rio Mais 20.
Em 2007 apresentei o requerimento aprovado no Senado Federal para que Brasil sediasse uma nova conferência em 2012. Em 2009, na última sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) daquele ano, foi aprovado o oferecimento do Brasil ser anfitrião de uma Conferência em 2012.
Há uma coincidência de a Rio+20 ser realizada 20 anos após Eco 92, mas a ideia de Rio+20 foi colocarmos mais 20 anos adiante, para sabermos que estamos muito próximos de um cataclisma. Não são somente 20 anos pra trás, mas 20 anos para a frente.
O que inspirou o oferecimento para sediar a reunião foi o fim da vigência do Tratado de Kyoto. Imaginei que, sendo aceito pela ONU como foi, poderíamos discutir um tratado que viesse a substituir aquilo a que se propunha o Tratado de Kyoto. No último encontro da Organização das Nações Unidas em Durban, graças à participação da delegação brasileira, conseguimos evitar que já ali o Tratado de Kyoto fosse sepultado.
Fundamentalmente, estamos em outro momento, completamente diferente daquele que vivíamos em 1992. As emergências estão aí a todo momento, acendendo suas luzes para todos nós que vivemos aqui neste pequeno planeta, que não queremos ver destruído.

Caducaram os princípios e as metas assinados em 1992?

Neste conjunto de conquistas alcançadas durante a realização da Eco 92 está, por exemplo, a Agenda 21, com uma série de recomendações para que os países eventualmente seguissem para mitigarmos os efeitos já sentidos à época. Como, por exemplo, o uso dos CFCs [clorofluorcarbono, um composto usado em aerossóis e gases de resfriamento, cujo uso é hoje proibido em vários países], que causavam o chamado buraco da camada de ozônio. Houve, realmente, uma redução muito grande no uso dos CFCs, mas, ao mesmo tempo, o produto que substituiu a família dos CFCs acabava poluindo de uma outra maneira.
Também em relação às emanações de monóxido na atmosfera, como a questão das cidades, da complexidade no planejamento das cidades, de se evitar que o transporte individual fosse muito utilizado, melhorando o transporte urbano, a qualidade dos serviços públicos. Conter o desmatamento.
Fato é que alguns países levaram a sério a Agenda 21, outros nem tanto. O Brasil vai se apresentar novamente na Rio+20 como um país que está na vanguarda na luta pela preservação do planeta, pela combinação desses pilares, econômico, social e ambiental, que resulta no desenvolvimento sustentável, que é o tema da conferência.

Qual o papel que o Congresso Nacional vai ter no final da Rio+20 na adequação, à legislação brasileira, das resoluções aprovadas na conferência?

Sou integrante do Poder Legislativo brasileiro com muito orgulho, mas acho que a Cúpula dos Legisladores – e quero estar enganado – irá produzir pouco. O Partido Verde vem perdendo substância na Alemanha, na Escandinávia, no Reino Unido, exemplos muito mais vivos de câmaras de legisladores extremamente engajados neste problema. Eles perderam um pouco daquele ímpeto criativo.

O que foi mais difícil na Rio 92?

O mais difícil foi trazer o presidente americano, e a presença dele naquele momento seria, como foi, indispensável. A conferência já tinha se iniciado e o presidente americano não havia ainda confirmado sua presença. E aí, conversando com o comandante [Jacques-Yves] Cousteau [oceanógrafo e explorador francês, falecido em 1997], um grande amigo meu – amigo nosso, do mundo inteiro, de todos aqueles que vivem neste planeta, uma grande referência para todos nós –, ele dizia: “Fernando, olha, se o Bush não vier, isso aqui vai ser um desastre”. Eu disse: “Mas ele tem de vir, comandante, ele tem de vir”. E ele disse: “Vamos a Washington?” Eu perguntei: “Como? Quem?” Ele disse: “Você e eu”. Aí, já gostei da ideia e disse: “Perfeitamente. Vamos hoje à noite”. Chamei os diplomatas, os organizadores, o chanceler, e disse: “O comandante Cousteau e eu vamos chamar mais algumas pessoas e vamos a Washington hoje à noite, a casa militar prepara o avião e vamos a Washington trazer o presidente Bush. Ou, se nós não conseguirmos trazer, ficamos lá, na porta da Casa Branca”. Nós iríamos fazer exatamente isto: descer em Washington, pegar um carro rumo à Casa Branca. “Ah, o senhor não está sendo esperado.” “Ah, não? Então está bem: nós vamos saltar do carro e ficar aqui em pé, aguardando que o presidente nos receba” (risos). Mas aí veio uma voz com mais lucidez, do então ministro Celso Lafer, e disse: “Presidente, o senhor poderia nos dar 24 horas?” Olhei pra o comandante Cousteau, ele meio assim... E falei: “Tá bom, 24 horas, ministro”. No dia seguinte, logo depois do meio-dia, o presidente Bush confirmou a vinda dele (risos).

E o momento mais marcante?

[com lágrimas] Foi a assinatura do Tratado da Biodiversidade. Porque era um Tratado de uma importância que ultrapassa o século. E, para esse tratado, nós – nós, que eu digo, milhares de pessoas que pressionam seus governos, funcionários, membros de diversos países, trabalhando – conseguimos a convergência.
E [a voz embargada] o encerramento da Conferência, que nos trouxe muito, a todos nós, a sensação de que o dever havia sido cumprido. Que nós havíamos chegado lá.

Agência Senado


Confira vídeo da TV Senado sobre o assunto:



“O PIB é o maior engodo!”

O desabafo reflete a preocupação de especialistas em modificar os conceitos de crescimento de um país. Em debate realizado por duas subcomissões que discutem temas de interesse da Conferência Rio+20, senadores e convidados alertaram que a produção de bens de consumo e serviços não pode mais ser o principal indicador de riqueza de uma nação, porque os padrões atuais são insustentáveis. (...)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Senado divulgará salários a partir de 31 de julho

Os salários dos servidores do Senado Federal devem ser divulgados ao público a partir de 31 de julho. O ato com a decisão, tomada pela Comissão Diretora durante reunião nesta quinta-feira (31), será publicado no Boletim Eletrônico de Pessoal amanhã, 1º de junho. De acordo com a norma "Será implementada no Portal da Transparência do Senado Federal, em 31 de julho de 2012, seção específica para a divulgação das informações relativas à remuneração e subsídio recebidos por parlamentares e servidores efetivos e comissionados, de maneira individualizada, conforme ato Primeiro-Secretário." A decisão de publicar os salários acontece após o governo regulamentar, no último dia 16, a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11), que obriga órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário a fornecerem informações sobre suas atividades a qualquer cidadão.

Blog do Senado com Agência Senado

Veja mais:

Ideli e ministros reúnem líderes para explicar vetos ao Código Florestal

Participaram titulares das pastas ligadas ao meio ambiente e economia rural

Ministros se colocaram à disposição para esclarecer dúvidas no Congresso

Priscilla Mendes/ O Globo

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, reuniu nesta quinta-feira (31) os líderes da base governista no Congresso e ministros da área ambiental e agrícola para explicar as mudanças feitas pelo governo no Código Florestal. Segundo informou a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), os ministros Mendes Ribeiro (Agricultura), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), além de Ideli, explicaram aos parlamentares as razões dos vetos presidenciais e as decisões contidas na Medida Provisória enviada ao Congresso. As mudanças elaboradas pelo governo na legislação ambiental brasileira foram anunciadas na última sexta-feira (25). Para justificar os vetos – que foram publicadas no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (28) – o governo alegou “contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade” no projeto aprovado na Câmara. Os ministros que participaram da reunião colocaram-se “à disposição dos líderes partidários para irem ao Congresso dar os esclarecimentos necessários sobre a matéria”, informou a Secom. Ainda e acordo com a Secom da Presidência, os ministros se dispuseram a dar esclarecimentos especialmente à Comissão Mista que deverá ser instalada na próxima terça-feira (5) no Congresso para analisar os vetos ao Código. Com o texto da lei ambiental, foi publicada ainda uma Medida Provisória que torna mais rígidas as regras do código. A medida visa suprir os vácuos deixados pelos 12 vetos e 32 modificações feitas pela presidente Dilma Rousseff. O Congresso, contudo, tem poder para anular as mudanças feitas pela presidente. Os vetos terão de passar pela análise dos parlamentares, em sessão conjunta da Câmara e do Senado e só podem ser colocados em pauta pelo presidente do Congresso, José Sarney. Não há prazo para os vetos serem votados e, para derrubá-los, é necessário o apoio de dois terços dos parlamentares. Desde a redemocratização, somente três vetos presidenciais foram rejeitados pelo Parlamento. Já a MP tem até quatro meses para ser votada, sem perder a validade. Se aprovada na Câmara, vai ao Senado e, caso alterada, volta para a análise dos deputados.

Macapá terá mais sete vereadores a partir de 2013


Por 11 votos a favor e 3 contra os parlamentares aprovaram em segunda e última votação o aumento do número de cadeiras de 16 para 23

O município de Macapá terá sete novos vereadores a partir da nova legislatura da Câmara de Vereadores que inicia em fevereiro de 2013. Por 11 votos a favor e 3 contra os parlamentares aprovaram em segunda e última votação o aumento do número de cadeiras de 16 para 23. A votação é terminativa. A adequação do número de vagas foi feita conforme a orientação do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE), Raimundo Vales, que informou aos vereadores não ser suficiente apenas citar a Constituição Federal, mas que a Câmara deveria votar a alteração indicando os números do IBGE. Cabe ao presidente da Casa, vereador Rilton Amanajás (PSDB) informar à Justiça Eleitoral o resultado. Para, Amanajás a próxima legislatura terá que ampliar a estrutura administrativa. A solução para ele seria o aluguel de um prédio anexo ao atual na Avenida FAB para comportar os gabinetes. Para que os recursos sejam suficientes, o atual presidente também acredita que o número de assessores para cada vereador deverá ser diminuído. Durante a sessão, integrantes da ONG auto denominada “Movimento Contra a Corrupção”, que havia apresentado um abaixo assinado contra o aumento de vereadores, voltou a ocupar as galerias. Em numero reduzido, mas com faixas, camisetas e cartazes eles protestaram. O movimento não teve maior engajamento da sociedade. Com maior número de vereadores diminui também o coeficiente eleitoral. Assim, um candidato com três mil votos teria possibilidade se eleger. A conta leva em consideração também o comparecimento dos eleitores. A capital Macapá deve ficar perto de 300 mil. A Emenda Constitucional dos Vereadores foi aprovada em 2009 pela Câmara Federal, e amplia de 51.748 para 59.791 o número desses cargos no país, representando uma diferença de 7.343, ou seja, 14,1% de ampliação de vagas. A emenda aplica percentuais com base em faixas de população, como determina a Constituição. Os dados do IBGE são utilizados para o cálculo.

Ministro das Comunicações participa no Amapá do lançamento das obras do linhão da fibra ótica

Está confirmado para esta sexta-feira, 1º de junho, no auditório do Museu Sacaca, às 10h, o lançamento oficial das obras de internet banda larga no Amapá. Entre as autoridades presentes estarão o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo Silva, o presidente nacional da Oi, Francisco Valim e o presidente da Telebras, Caio Bonilha. A construção da infraestrutura está orçada em R$ 32 milhões e foi dividida igualitariamente entre o Governo do Estado do Amapá (GEA) e Oi. A inserção da Secretaria da Receita Estadual (SRE) nas negociações possibilitou a contrapartida do governo do Estado. Para isso, a SRE precisou da anuência do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). "O Amapá não tinha recursos para investir nesse projeto e isso não pode ser feito por meio de decreto. Para isso, pensamos na alternativa de usar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) para reverter o recurso para a construção do linhão entre Calçoene e Oiapoque", disse Camilo Capiberibe. A implantação da internet banda larga no Amapá era uma promessa de campanha do governador Camilo Capiberibe, que começou a se concretizar em janeiro deste ano, quando foi assinado entre o Governo do Amapá e representantes da empresa de telefonia Telemar Norte/Leste S.A – Oi, o convênio que vai viabilizar a chegada da internet banda larga. As obras atendem a todas as diretrizes do Manual de Procedimentos para Permissão Especial de Uso das Faixas de Domínio das Rodovias Federais e Outros Bens Públicos sob Jurisdição do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), além do Manual de Sinalização de Obras de Emergência. Embora as obras sejam executadas às margens de trechos da maior estrada federal do Estado, nenhum impacto será causado ao meio ambiente. Uma das preocupações do Governo do Estado do Amapá era de não devastar as áreas de mata dos municípios que receberão o cabeamento. "Se não fosse a vontade do governador Camilo Capiberibe, de antecipar a banda larga no Amapá, nós não estaríamos executando a conexão com a Guiana". Foi o que afirmou em março deste ano o diretor de Relações Institucionais da OI, Marcos Mesquita, durante audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. A chegada da banda larga beneficia os municípios de Macapá, Oiapoque, Santana, Ferreira Gomes, Porto Grande, Tartarugalzinho, Calçoene e Amapá, totalizando mais de meio milhão de pessoas beneficiadas com o projeto de conexão.

Núcleo de Jornalismo/Secom

Veja também:

Fique de olho...

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
sexta-feira, 1º de junho de 2012
Destaques nacionais

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO

MINISTÉRIO DA FAZENDA

MEC

MIN

MS

MS

PJ


Concursos e seleções





O Amapá no Diário Oficial da União

Coluna "Argumentos"

Empatia

No encontro de parlamentares estaduais de todo o Brasil, que acontece em Natal (RN), o presidente da AL, deputado Moisés Souza (PSC), era um dos mais assediados. Muita gente queria saber sobre os avanços em comunicação, votação eletrônica, tv, rádio e tudo mais. Só que o assunto predominante foi a combatividade dele por aqui.

Regulamentação

Foi aprovado ontem pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público o Projeto de Lei 7279/10, do Senado, que regulamenta a profissão de diarista. Conforme o texto, diarista é o trabalhador que presta serviço no máximo uma vez por semana para o mesmo contratante, em ambiente residencial, sem vínculo empregatício.

Verdade

O acesso à informação é um direito tão fundamental como o acesso à segurança, saúde e alimentação, afirmou ontem o senador Randolfe Rodrigues, ao informar que o Amapá tem a pior cobertura de internet e, ao mesmo tempo, a pior cobertura de banda larga do país (0,17%). E hoje isso pode começar a mudar. Tomara.


Reconhecimento

Os políticos brilham por seus próprios méritos, é claro, mas é preciso creditar um percentual considerável para seus valorosos auxiliares. E o senador José sarney (PMDB-AP) sabe valorizar isso como ninguém, tanto que foi cumprimentar sua secretária, a zeloza Edna, que entrou de férias.

Mundo pequeno

O ex-governador do Amapá, Jorge Nova da Costa, encontrou no Senado o ex-presidente Fernando Collor, que foi logo tomando a iniciativa de abraçá-lo. Nova retribuiu o cumprimento, mas uma força interior foi tomando conta de seu ser, digamos assim, e disparou. - O senhor me cassou o mandato! É que Collor reduziu o mandato dele. - Esquece isso! Disse o hoje senador.

No ar

Foi ao ar ontem à noite a propaganda eleitoral gratuita do Democratas, em nível nacional. Diversos pré candidatos a prefeitos de várias capitais apareceram, entre eles o amapaense Davi Alcolumbre, que deverá concorrer à sucessão na PMM. Coube a ele falar da política social do DEM, como apoio à criação de creches, música para os ouvidos das mães, claro.

Da hora

Por falar em Democratas, circula em Brasília um burburinho dando conta de que o irmão siamês do DEM, o PSDB, está longe de brigar com o parceiro, pelo contrário, estariam mais do que nunca juntos. E fazendo planos para o futuro. Para dar apoio a José Serra, no projeto de voltar à Prefeitura de São Paulo, os tucanos poderão apoiar democratas em outras capitais.

No rádio

Uma edição especial do nosso Conexão Brasília vai ao ar amanhã pela Diário FM. O programa todo transmitido de Brasília contará com participações de integrantes da bancada federal, como os deputados federais Vinícius Gurgel (PR) e Luís Carlos (PSDB), além dos senadores Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e José Sarney (PMDB-AP). Anote aí, o radiofônico começa às 8h.

Acompanhe

Clique para ampliar