quarta-feira, 12 de março de 2008

Lula e Waldez: união positiva para o Amapá


José Sarney*

O Presidente Lula vem demonstrando que é realmente amigo do Amapá. Vem atendendo todos os nossos pedidos. Em dezembro tornou realidade a regularização fundiária no estado, beneficiando os pequenos e médios agricultores. Agora em fevereiro, cumpriu a promessa e veio novamente ao Amapá para anunciar a construção da ponte sobre o rio Oiapoque. Garantiu os recursos para a continuação das obras da BR-156 que, até 2010, estarão concluídas. Lula tem dado, também, a garantia de que haverá verba para a ponte que ligará Laranjal do Jari a Monte Dourado, integrando o estado à malha rodoviário do País. Esta será uma ligação física decisiva para o nosso desenvolvimento. Na área energética, a palavra de ordem é também integração. O governo federal deu mais um passo no sentido de tirar o Amapá do isolamento com relação ao sistema elétrico interligado brasileiro. Anunciou que licitará ainda este ano a linha Tucuruí (PA)-Manaus (AM)-Macapá (AP), para interligar a maior parte da região amazônica que depende de geração térmica a diesel. A linha terá investimentos da ordem de R$ 3,5 bilhões e previsão de operação comercial já em 2011. Num momento em que os 250 anos de Macapá foi grande sucesso no Carnaval do Rio de Janeiro, o setor de turismo também recebe apoio da União. O Amapá terá R$ 27 milhões para investimentos em obras de infra-estrutura e turismo. São R$ 24 milhões do Governo Federal e R$ 2, 6 milhões do Governo do Estado. E os recursos já começam a chegar. Como anunciou no Plenário do Senado, o nosso competente líder de Bancada, senador Gilvam Borges, o governo federal liberou nesta semana mais de R$ 17 milhões para o estado do Amapá. Recursos que já estão nos bancos oficiais e que serão usados em várias obras e serviços, como infra-estrutura urbana; construção de casas populares; abertura e recuperação de estradas. A maior parte do dinheiro - R$ 3,09 milhões – é para a capital do estado, Macapá, e será aplicado em obras de infra-estrutura urbana. Os recursos também foram destinados para a modernização do estádio Glicério Marques; elaboração do plano de desenvolvimento integrado do turismo sustentável; recuperação de estradas vicinais; e, entre outros, para o programa de estímulo ao primeiro emprego. Foram liberados, também, para inclusão digital, R$2.070.000 para a prefeitura de Macapá, que poderá atender 40 mil pessoas. Esta é uma integração que também é imperiosa: a cultural. Tivemos, ainda, várias outras boas notícias vindas do governo federal, como a autorização da instalação das escolas técnicas federais de Laranjal do Jari, a assinatura da Medida Provisória que cria os critérios de instalação das ZPEs – Zonas de Processamento das Exportações – e o descontigenciamento R$ 192,2 milhões dos recursos da SUFRAMA. Tudo isso é resultado da competência do governador Waldez Góes, que soube unir e liderar a nossa classe política. Mas é, também, resultado da amizade e do carinho que Presidente Lula tem pelo Amapá.


*José Sarney é Ex-presidente, senador pelo Amapá e acadêmico da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa

250 ANOS DA CIDADE DE MACAPÁ

18/02/2008
Lucenira Pimentel parabeniza capital do Amapá


A deputada Lucenira Pimentel (PR-AP) homenageou, dia 18 de fevereiro, no plenário da Câmara dos Deputados, a cidade de Macapá que no último dia quatro de fevereiro completou 250 anos de fundação.“Quero parabenizar o povo de Macapá em nome dos macapaenses nascidos na terra Tucuju e estender a todos os moradores daquela cidade, que escolheram Macapá e o Amapá, adotando-a como sua terra natal”, parabenizou a parlamentar.Pimentel lembrou a homenagem feita pela Beija-Flor, escola de samba bicampeã de 2008 do carnaval do Rio de Janeiro, que exaltou a cidade com seu samba enredo. “Macapá ganhou um presente de aniversário, e o nosso povo Tucuju foi apresentado para o Brasil e o mundo”, acrescentou. A deputada ressaltou, no entanto, que o verdadeiro presente de Macapá é o seu povo. Segundo ela, a grandiosidade que faz os 250 anos de Macapá é o povo simples, generoso, hospitaleiro e que antes de tudo respeita os seus valores culturais, suas tradições e sua história. “O povo macapaense e amapaense oferta este presente a Macapá, pois mantém, com firmeza, o propósito de valorizar tudo que temos de melhor que são as nossas tradições”, concluiu Lucenira Pimentel.


Íntegra do discurso da deputada Lucenira Pimentel (PR-AP)


A SRA. LUCENIRA PIMENTEL (PR-AP. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, nobre colega Deputado Sebastião Bala Rocha, autor desta sessão solene em homenagem aos 250 anos de aniversário de Macapá, permita-me, ao iniciar este pronunciamento, transmitir nossos parabéns, em nome do Partido da República, PR, o qual represento neste momento, aos habitantes daquela cidade.Sras. e Srs. Senadores presentes, José Sarney, Papaléo Paes; Sras. e Srs. Deputados Federais; Exmo. Sr. Governador do Estado do Amapá, Antônio Waldez Góes; Exmo. Sr. Prefeito de Macapá, João Henrique Rodrigues Pimentel; Exmo. Sr. Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Jorge Amanajás; Exmo. Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Macapá, Vereador Charly Jhone; Exmos. Srs. Vereadores, demais autoridades presentes, minhas senhoras e meus senhores, écom enorme satisfação e orgulho que o Partido da República toma parte desta sessão solene com o objetivo de prestar justa homenagem a Macapá, que, no último dia 4 de fevereiro, completou 250 anos de fundação.Quero parabenizar o povo de Macapá, em nome dos macapaenses nascidos na terra tucuju, e estender a todos os moradores daquela cidade, que escolheram Macapá e o Amapá, adotando-a como sua terra natal.Falar sobre Macapá, em homenagem aos seus 250 anos de existência, é antes de tudo um ato prazeroso, e em nome do meu partido, o PR, quero dizer que nossa cidade nos coloca à disposição uma gama de predicados e atributos e nos deixam muito à vontade ao utilizar o refrão do samba-enredo campeão do carnaval do Rio de Janeiro pela Beija-Flor, que diz: ...bate no peito eu sou Beija-Flor.... Eu digo também: Batam no peito, nós somos Macapá. Pois, na madrugada do dia 5 de fevereiro, a Beija-Flor, ao desfilar na Marquês de Sapucaí para tornar-se bicampeã, ao viajar no seu enredo contou a nossa história, as nossas raízes, a nossa gente, a nossa cultura, os nossos monumentos históricos — e destaco a fortaleza de São José — , o meio do mundo, o fenômeno do equinócio, o grandioso rio Amazonas, e ele, São José, o padroeiro. A Escola de Samba Beija-Flor e a Comunidade de Nilópolis mostraram a força de um povo ao contar sua história belíssima.Macapá ganhou um presente de aniversário, e o nosso povo tucuju foi apresentado para o Brasil e para o mundo. Mas o grande presente de Macapá que com certeza se sobrepõe a qualquer outro que alguém lhe possa oferecer pela passagem dos seus 250 anos é a grandiosidade de seu povo simples, sábio, generoso e hospitaleiro, e que, antes de tudo, respeita seus valores culturais, suas tradições e sua história; um povo que nasceu no pequeno povoado de São José de Macapá, elevado à condição de vila em 1758, transformado em Território do Amapá em 1943, para iniciar sua independência administrativa, tornando-se Estado, somente em 1988, com a nova Constituição Federal.Um povo que não preserva sua história e suas raízes não se garante no presente e ainda terá um futuro incerto. O povo macapaense e amapaense oferta esse presente a Macapá, pois mantém, com firmeza, o propósito de valorizar tudo o que temos de melhor: as nossas tradições. Parabéns, caro colega Deputado Sebastião Bala Rocha, representante do povo amapaense nesta casa, pela feliz iniciativa; parabéns, Prefeito João Henrique Pimentel, pela determinação e responsabilidade de governar Macapá voltado para o seu povo; parabéns, povo macapaense, pela justa homenagem aos seus 250 anos.Muito obrigada, Professora Terezinha Fernandes, que, com sabedoria, expressa a letra do Hino de Macapá: ...Glorioso é teu passado, teu presente é varonil. Teu futuro é majestoso. Macapá, tu és Brasil...Em nome do Partido da República, muito obrigada. (Palmas.)


Clique em Lucenira Pimentel (PPS) para maiores informações sobre a deputada.



Milhomem falou da História de Macapá e da necessidade de solidariedade humana na administração da cidade


Evandro Milhomem (PCdoB-AP), no seu discurso em homenagem aos 250 Anos de Macapá”, fez questão de lembrar as origens multiraciais do povo que construiu a História de Macapá, destacando a participação do povo e da cultura africana. Citou figuras importantes da história macapaense e convidou todas as esferas de poder para cuidar da cidade.


Leiam o discurso na íntegra:


O SR. EVANDRO MILHOMEN (Bloco/PCdoB-AP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente desta sessão solene, ex-Senador e hoje Deputado Sebastião Bala Rocha; Srs. Senadores José Sarney, Gilvam Borges e Papaléo Paes; Sr. Governador do Estado do Amapá, Waldez Góes; Sr. Prefeito de Macapá, João Henrique; Sr. Presidente da Assembléia Legislativa de Macapá, Jorge Amanajás; Vereador Charly Jhone, que representa a Câmara de Vereadores de Macapá; Srs. Vereadores Leury Salles Farias e Valter Vieira; Srs. Deputados Federais Jurandil Juarez, Fátima Pelaes, Lucenira Pimentel; nobres Deputados que, infelizmente, não puderam estar aqui presentes, Davi Alcolumbre e Dalva Figueiredo; senhores e senhoras representantes do Governo do Estado; Sr. Deputado Antônio Feijão; representantes das comunidades afrodescendentes do Amapá; homenagear Macapá hoje é falar da sua terra, do seu povo, das pessoas, de nós que estamos aqui. Quero fazer uma referência especial aos Deputados que não são do Amapá. O Deputado Chico Lopes, do PCdoB, embora seja cearense, irá falar de Macapá. Todos sabem que Macapá tem muito cearense, e que o voto desse cearense pode repercutir para o Ceará.Falar dos 250 anos de Macapá é falar dos seus 400 mil habitantes; falar de Macapá é falar dos negros, dos tucujus, dos caboclos que ali estão; falar de Macapá é falar dos macapaenses de origem ou dos macapaenses de coração; falar de Macapá é falar de Janari Nunes, de Zeca Serra, de Mãe Luzia, de Zé Tavares; falar de Macapá é falar do Formigueiro, da Favela, do Laguinho, do Bairro do Trem, do Bairro da Sé, onde foi fundada nossa cidade; falar de Macapá é falar do batuque, do mar abaixo, do meio do mundo, do Beija-flor, do amor que sentimos por Macapá; falar de Macapá é falar da tradição, do dia-a-dia, da esperança que nutrimos todos os dias para que nossa cidade continue bela e receptiva; falar de Macapá é falar de quem viveu sua infância na comunidade do Formigueiro e viu essa cidade nascer e crescer; falar de Macapá é falar de quem governa nosso Estado; falar de Macapá é falar de quem governa nosso Município.Esta é a mensagem mais importante que pude trazer neste dia. Só assim poderemos olhar para Macapá e refletir sobre esses 250 anos, como vimos tratando nossa terra; olhar para Macapá é refletir sobre a importância que tem aquele espaço do torrão brasileiro tão carinhoso, tão receptivo e tão harmônico. Se não cuidarmos bem de Macapá hoje, com certeza não estaremos aqui para comemorar seus 260 ou 270 anos. Logo, é importante cuidarmos do local onde vivemos, é importante cuidarmos da terra onde nascemos e que escolhemos para morar. Essa responsabilidade é de todos nós, sejamos agentes públicos ou não. Muitas vezes, entendemos que a responsabilidade de cuidar de uma cidade é só de quem governa. Pelo contrário, é de quem nela vive.O Prefeito faz sua parte, o Governador ajuda, assim como nós, políticos, mas cada um tem que estar consciente da sua responsabilidade com aquela terra. Independentemente de quem governa ou de quem vai governar, Macapá precisa ser respeitada por todos. Parabenizo o Deputado Bala Rocha pela iniciativa de requerer sessão solene nesta Casa em homenagem à nossa terra Macapá. Temos aqui pessoas que lá não nasceram, mas que a escolheram para morar e para criar seus filhos. Isto nos envaidece cada vez mais, pois vemos que a cidade cresce e produz respeitando suas tradições, o meio ambiente e os cidadãos. Dr. Ubiali, essa seria a cidade ideal para se viver, a cidade da solidariedade humana, em que todos se respeitariam, isto é, aquele que dirige o carro respeitaria aquele que atravessa a rua a pé. Quem sabe, ainda podemos fazer isso em Macapá, uma cidade nova, jovem, que tem tudo para dar certo.Parabéns Macapá! Parabéns a todos os presentes! (Palmas.)O SR. PRESIDENTE (Sebastião Bala Rocha) - Muito obrigado, Deputado Evandro Milhomen.
Para maiores informações sobre o deputado, clique em Evandro Milhomem (PC do B)

Zonas de Processamento de Exportações


PhD defende retomada da política de exportação do governo Sarney

O presidente Lula assinou a Medida Provisória nº 418, que regulamenta a Lei 11.508/07 e cria as condições tributárias, cambiais e administrativas para o funcionamento das Zonas de Processamento de Exportação, as ZPEs. Para entrar em vigor, as regras têm ainda que receber aprovação de deputados e senadores. Foi o então presidente Sarney quem, depois de uma viagem oficial à China, teve a decisão política de implantar as ZPEs no Brasil, assinando, em 1988, decretos que criaram 13 unidades em diferentes estados. O atual presidente da Associação das Zonas de Processamento de Exportação, Helson Braga, falou ao Diário do Amapá, em Brasília do futuro das ZPE’s. "A ZPE fará a diferença em termos de desenvolvimento do estado. Ela terá como âncora um grande projeto siderúrgico, que atrairá outros empreendimentos. Com os incentivos da ZPE, haverá investidores, nacionais e estrangeiros, que se instalarão no estado."


Diário - Doutor Helson Braga, o que é uma ZPE?


Helson - As Zonas de Processamento das Exportações são distritos industriais incentivados, onde as empresas neles instaladas recebem tratamento diferenciado, em termos tributários e cambiais, com a condição de destinarem pelo menos 80% da produção para as exportações. Elas são os mecanismos mais utilizados no mundo como estratégias de desenvolvimento, tais como a geração de empregos, o aumento do valor agregado das exportações, a correção de desequilíbrio - O caráter “diferenciado” do regime ZPE não implica em favorecimento das suas empresas vis-à-vis às demais empresas nacionais: as vendas de até 20% de sua produção no mercado doméstico recebem tratamento idêntico ao dispensado às importações. Ou seja, do ponto de vista da concorrência no mercado doméstico, não introduz nada que as empresas nacionais já não estejam habituadas. Não há nada que possa ser interpretado como concorrência desleal, em relação às empresas localizadas fora das ZPEs.


Diário - Mas, os que são contra argumentam que as ZPEs não seriam necessárias, que já seriam “arcaicas”, pois o governo já vem desonerando as exportações em diversos setores importantes.


Helson - Vamos por partes: quem fala que as ZPEs são “arcaicas” ou “anacrônicas” parou de estudar há algum tempo. Pois basta fazer uma consulta rápida e superficial à Internet que irá constatar que um grande número de países está operando (com sucesso) e ampliando a utilização de ZPEs no mundo inteiro. Verificará também que o número de ZPEs (ou mecanismos similares) tem crescido com vigor exatamente nos últimos 20 anos. Fica difícil – por uma questão de lógica elementar - caracterizar este mecanismo como arcaico ou anacrônico.


Diário - E o comentário que diz que o governo já vem desonerando as exportações em diversos setores importantes?

Helson - De fato, nos últimos anos, surgiram vários regimes de desoneração de impostos para atividades exportadoras – “empresas predominantemente exportadoras”, RECAP, “aeroporto industrial”, a respeito dos quais não vale a pena, neste espaço, dar detalhes técnicos – mas todos com resultados insignificantes. Tais mecanismos foram criados numa época em que o governo começava a compreender a necessidade de dispor de mecanismos de promoção de exportações, mas se recusava a fazer o que realmente importava, que era implantar as ZPEs. Como havia uma resistência insana ao mecanismo que faria a diferença (as ZPEs), foram utilizados substitutos “meia-sola”, que não tinham o potencial que têm as ZPEs. Não surpreende, portanto, que pouca gente tenha se apercebido, até agora, de que eles estão em vigor. A conscientização – do Executivo e do Legislativo - sobre o que realmente precisa ser feito (ou seja, a implantação das ZPEs) se deve ao trabalho de pessoas lúcidas, como o Presidente Sarney e o ex-ministro Delfim Netto.


Diário - Mas, para que fique bem claro, eu insisto: dizem que as ZPEs provocarão “perdas fiscais insuportáveis”. O que o senhor diz sobre tais “acusações”?


Helson - Essa acusação é ilustrativa da pobreza lógica e intelectual do debate a respeito de tão importante mecanismo. O papel estratégico das ZPEs é o de viabilizar investimentos que, noutras circunstâncias, não se concretizariam. O Brasil já perdeu investimentos estratégicos (como uma fábrica de semi-condutores, em meados dos anos 90, setor que determinaria se o país iria ser ou não um “player” global no setor eletro-eletrônico), justamente por não ter disponibilizado as ZPEs, que são o mecanismo requerido por investidores globais. Então, ou conseguimos entender essa lógica do capitalismo global - e incluímos as ZPEs em nossa estratégia de atração de capitais - ou vamos continuar na periferia destes setores definidores de quem pertence ao pelotão de frente ou da retaguarda da economia globalizada. As ZPEs nos colocará no mapa desses investimentos internacionais, para os quais o mercado interno brasileiro é, certamente, importante, mas o verdadeiramente relevante é o mercado global.

Diário - Em resumo, quer dizer que não é lógico supor que perderemos receita por deixarmos de cobrar impostos de atividades que não existiriam sem as ZPEs?

Helson - Exato. Tautologicamente, não se perde algo que não se tem. Além disso, não é correto avaliar o impacto das políticas públicas a partir de seu efeito direto, sem levar em conta os seus efeitos indiretos. Assim, mesmo que as empresas em ZPE não “paguem impostos”, cada uma delas gerará algumas dezenas de milhares de empregos (diretos e indiretos) que movimentarão shopping centers, supermercados e toda uma infinidade de atividades, que também gerarão empregos – e, óbvio! pagarão impostos.


Diário - Voltando às origens: como as ZPEs vieram a ser implantadas no Brasil? E por que até hoje não haviam sido regulamentadas?


Helson - As ZPEs foram criadas pelo Presidente José Sarney, em 1988. Houve, na época, uma tremenda resistência contra o mecanismo, especialmente da indústria e políticos paulistas. Apesar disso, o Presidente Sarney manteve a decisão de implantar as ZPEs, e assinou 13 decretos criando unidades em diferentes estados. O Presidente Itamar Franco criou mais quatro. Durante os governos Collor e FHC houve tentativas de extinção do programa, que não chegaram a se concretizar em razão da mobilização de vários estados, que viam, no mecanismo, o que ele é: um poderoso instrumento de desenvolvimento.

Diário - As dificuldades iniciais refletiam um pouco a estrutura econômica da época, quando o modelo chamado “nacional desenvolvimentista” já mostrava sinais de estar em crise?

Helson - Sim, no final dos Anos 80 Sarney percebeu que era necessário utilizar mecanismos diferentes do utilizado na época em que o desenvolvimento industrial se confundia com substituição de importações. A primeira legislação das ZPEs era um reflexo do Brasil da época: uma economia altamente protegida contra a concorrência estrangeira, onde qualquer movimento que pudesse ser interpretado como ameaça, real ou imaginária, era vigorosamente combatido. Isso ocorreu, sim, com as ZPEs. A legislação só foi editada em razão da determinação do Presidente Sarney e do seu ministro da Indústria, o Ministro José Hugo. Mesmo com uma legislação restritiva (por padrões internacionais) o programa somente não deslanchou porque foi boicotado pelo governo que se seguiu ao do Presidente Itamar Franco, que não entendeu o potencial desenvolvimentista das ZPEs.


Diário - Recentemente, Lula assinou a - MP 418 – regulando a Lei 11.508/07, que viabiliza as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs). A medida, como ficou, satisfez a ABRAZPE?


Helson - A MP 418 foi certamente um avanço do ponto de vista da consistência do mecanismo e de sua conformação ao restante da política industrial do governo; e às boas práticas de políticas de desenvolvimento utilizadas por outros países. Foi também um raro exemplo de convergência da base governista e da oposição em torno de um extraordinário programa de desenvolvimento que interessa a todos e ao Brasil. O Presidente Lula editou a MP nos exatos termos que haviam sido negociados entre as áreas do governo envolvidas no assunto (basicamente os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento) e o Congresso Nacional. Pode-se dizer que a MP representa um excelente ponto de partida para a implementação do programa, permitindo a imediata retomada dos projetos já aprovados.


Diário - O senhor fala de “ponto de partida”. E o que falta para ser aperfeiçoado?


Helson - Há alguns pontos importantes, sobre os quais não houve consenso entre os parlamentares e os representantes do governo. Há, portanto, espaço para introdução de aperfeiçoamentos ao texto convertido em MP. Entre estes pontos estão a possibilidade de prorrogação do prazo de vigência do regime (que ficou restrito a um período de até 20 anos, que pode se revelar insuficiente para investimentos de grande porte, tais como refinarias e usinas siderúrgicas) e a equiparação das vendas entre empresas em ZPE a uma operação de venda no mercado externo (que desestimula a instalação, dentro da ZPE, de outras empresas que adquiram produtos de ou-tras, os beneficiem e os exportem, aumentando o valor agregado e o emprego dentro da ZPE). Além disso, há toda uma conveniência de se tornar automática a redução de 75% do imposto de renda para a empresas em ZPE, que, pela nova lei, obrigará os interessados a ingressarem com um projeto para se instalar em ZPE (e submetê-lo ao Conselho Nacional de Zonas de Processamento de Exportação - CZPE) e um outro, para ter direito àquela redução, desta vez dirigindo-se à SUDAM ou à SUDENE. Isso é uma duplicação burocrática absolutamente injustificável e dispensável. Teremos oportunidade de fazer estas correções por ocasião da votação da MP no Congresso.



Diário - Então a próxima batalha será na Câmara e no Senado?


Helson - Na semana passada, se esgotou o prazo para apresentação de emendas à MP 418/2008, tanto dos deputados como dos senadores. Logo no começo da próxima semana, a equipe do deputado Henrique Eduardo Alves (que é o relator da MP) poderá recolher a sua orientação e iniciar a elaboração do parecer do relator. Devido ao amplo apoio que o programa das ZPEs desfruta no Congresso Nacional, a expectativa é de uma rápida tramitação nas duas Casas, e a breve conversão da MP em lei definitiva.

Diário - Mas, os “aperfeiçoamentos” que o senhor sugere têm condições de serem feitos durante o processo de votação no Congresso Nacional? A classe política já captou a importância do projeto?

Helson - Acredito que sim. Os deputados e senadores têm consciência de que o Brasil já está começando a assimilar a importância de se ter estabilidade nas “regras do jogo”, fator fundamental para a atração de investimentos, especialmente os de grande porte. Sabem que uma lei aprovada pelo Congresso Nacional - e imediatamente implementada, tornando irreversíveis grandes empreendimentos – é o elemento fundamental para garantir estabilidade. Nenhum aventureiro mal esclarecido ou mal intencionado conseguirá reverter estas regras, no futuro, se o programa desfrutar desse apoio.


Diário - Os amapaenses querem saber o que, na prática, a ZPE do Amapá representará para suas vidas. Indo direto ao que interessa: haverá aumento de emprego e renda? Por quê?

Helson - O Amapá tem sorte por ter o presidente Sarney como um de seus senadores. Tanto a ALC de Macapá e Santana como a ZPE do Amapá são projetos que o Amapá conseguiu como resultado direto do empenho e da influência do presidente Sarney. A ALCMS produziu desenvolvimento como área de livre comércio. Esta foi sua primeira fase. Mas, desde o início, o senador Sarney tinha consciência de que ela precisaria ser aperfeiçoada. Precisaria passar da fase comercial para a industrial. E a implantação da ZPE vem atender exatamente esta função: criar as condições de aperfeiçoamento da ALCMS, permitindo a passagem da fase comercial para a industrial, através da atração de investimentos.

Diário - O senhor poderia quantificar qual a importância da figura política do senador José Sarney neste processo?

Helson - Muito em breve, os brasileiros se darão conta de que o programa das ZPEs terá sido uma das mais importantes e inteligentes medidas de promoção do desenvolvimento já implementadas em nosso país. Não há hipótese de dar errado aqui um mecanismo que mais de cem países utilizam como parte essencial de suas estratégias de desenvolvimento, independentemente de suas configurações políticas e dos distintos graus de desenvolvimento. Só a China, que serviu de inspiração ao presidente Sarney, tem mais de 40 milhões de empregados nas suas seis modalidades de ZPEs, que foram implantadas a partir do início dos anos 80 pelo presidente Deng Xiaoping. Seguramente, a distância entre as economias brasileira e chinesa seria hoje muito menor se os governos que sucederam ao do Presidente Sarney tivessem dado seqüência ao projeto visionário que ele criou, quando ninguém aqui tinha a menor idéia do que se tratava. No entanto, com duas décadas de atraso, finalmente, as ZPEs terão a oportunidade de demonstrar o seu potencial de contribuir para progresso do País. E, de novo – e não por acaso –, lá está, novamente, o presidente Sarney, articulando, criando as condições políticas e liderando a retomada do programa que ele criou lá atrás, e nunca abandonou. É mais uma que o Brasil lhe deve.

Para maiores informações, acesse o site da ABRAZPE:





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