segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Presidenta sanciona lei que aumenta bolsa para médicos residentes

A presidenta Dilma Rousseff sancionou na última sexta-feira (28) a Lei 12.514 – publicada hoje (31) no Diário Oficial da União – que reajusta a bolsa para médicos residentes e fixa em R$ 2.384,82 o valor do benefício para jornadas de 60 horas semanais. A lei determina ainda que a instituição de saúde responsável pelos programas de residência ofereça aos alunos moradia, alimentação e condições adequadas para repouso e higiene. E diz que o valor da bolsa do médico residente poderá ser objeto de revisão anualmente. Outro ponto estabelecido pela lei refere-se ao pagamento das contribuições devidas aos conselhos profissionais. Para profissionais de nível superior, por exemplo, a legislação institui em R$ 500 a anuidade a ser paga para o conselho federal. De acordo com a lei sancionada pela presidenta Dilma, o valor exato da anuidade e as regras para isenção e descontos serão estabelecidos pelos respectivos conselhos federais. A lei entra em vigor a partir de hoje (31).

Veja também:


Blog do Planalto

Agenda da semana do Senado – 31 de outubro a 4 de novembro


Apesar de ter sido deliberativa em decorrência do feriado de quarta-feira, a sessão plenária desta segunda-feira (31) não teve votações. A ordem do dia foi aberta e logo depois fechada porque a pauta está trancada por duas medidas provisórias lidas no Plenário na última quinta-feira e não houve quorum para votá-las. Ambas estão com o prazo de validade prorrogado.
Na pauta, que poderá ser analisada nesta terça-feira (1), também há 24 requerimentos, dois projetos de decreto legislativo, e seis projetos de lei, além do substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado 121/2007 - Complementar, que regulamenta a Emenda 29.
Tramitando em regime de urgência no Senado após passar três anos na Câmara, a proposta estabelece valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde. Os estados deverão investir 12% da receita corrente bruta; e os municípios, 15%. O Distrito Federal, por sua vez, deverá aplicar 12% ou 15%, conforme a receita seja originária de um imposto de base estadual ou municipal. Caso não cumpra, o estado ou município poderá deixar de receber repasses da União. O projeto regulamenta, ainda, quais despesas podem ser consideradas de saúde para estados, municípios e União atingirem o percentual definido pela Emenda 29.
O texto foi aprovado pela Câmara em setembro, mas teve alterações que justificam a volta para o Senado, onde será votado novamente. Naquela Casa, foi rejeitada a ideia de criar uma contribuição para o setor nos moldes do que foi a CPMF.
IOF
A primeira MP 539/2011 que tranca a pauta institui a cobrança de IOF sobre operações de contratos derivativos vinculados à taxa de câmbio do dólar. Ela sofreu mudanças na Câmara e chegou ao Senado como projeto de Lei de Conversão (PLV) 26/2011. Ele deve ser votado até 28 de novembro para não perder a validade. A medida tem o objetivo de conter a especulação cambial com uma cobrança de até 25%.
Os contratos de derivativos se baseiam na variação futura do preço de um determinado bem ou taxa sem implicar sua entrega efetiva. O mercado agropecuário é o maior usuário de derivativos, justamente porque as variações de preços são imprevisíveis e, muitas vezes, bruscas. A intenção do governo é barrar a ação de especuladores que fazem contratos derivativos para ganhar com a valorização do real ao apostar na queda do dólar no mercado futuro.
Mudança feita na Câmara dos Deputados permite que os exportadores descontem o IOF pago nas operações de derivativos com o valor devido em outras operações nas quais esse tributo incide. Se houver sobra de crédito, ela pode ser compensada com outros impostos devidos à Receita Federal. A justificativa é que, muitas vezes, os exportadores recorrem aos derivativos para se proteger de possíveis quedas do dólar no futuro, quando receberão efetivamente o pagamento pelo bem exportado.
Financiamento
A outra MP que tranca a pauta do Senado é a 541/2011, que chegou à Casa como Projeto de Lei de Conversão (PLV) 28/2011. Ele cria o Fundo de Financiamento à Exportação para atender especificamente às micro, pequenas e médias empresas exportadoras. Além disso, reformula as atribuições do Inmetro, que passa a se chamar Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.
O prazo final da vigência é 30 de novembro. Ele incluiu no fundo os fabricantes de equipamentos e insumos de reabilitação e acessibilidade entre as empresas beneficiadas com empréstimos a juros subsidiados pela União. Também terão direito ao benefício os produtores de fertilizantes e de agrotóxicos. O texto original da MP, que integra o plano Brasil Maior, já incluía o setor de autopeças.
O PLV também atribui ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a competência para estabelecer os limites de financiamentos com juros subsidiados que poderão ser concedidos pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Hoje, a legislação limita os empréstimos do banco com esse subsídio a R$ 208 bilhões e os da Finep a R$ 1 bilhão.
O texto também muda o nome do Ministério de Ciência e Tecnologia para Ciência, Tecnologia e Inovação.

48ª Expo-feira Agropecuária

Transmissão ao vivo pela Rede Católica de TV

Ruthi Madalena

A Rede Católica de Televisão no Amapá que incluem: a Rede Vida Canal 40, Canal 39-HDTV, Tv Nazaré Macapá Canal 52 e TV Nazaré em Santana Canal 48 estão com exclusividade sendo as únicas emissoras de Televisão que estão transmitindo Ao Vivo toda a 48ª-Expo-feira. O sistema de comunicação católica implantou três links no complexo em fazendinha. Em horário das 20:00 as 02:00 da madrugada equipes de repórteres e os apresentadores Helio Nogueira e Mauricio conduzem entrevistas e imagens direto da expo. A novidade da transmissão deu certo segundo o Padre Aldenor Benjamim, segundo ele foi uma maneira das emissoras marcarem presença num grande evento e fazer o teste dos três novos links que a emissora adquiriu. “Nossa participação na feira, foi na verdade um teste de nossos novos equipamentos para transmissão ao vivo, do ponto de vista financeiro não estamos tendo nenhum lucro, apenas parte dos custos operacionais que foram pagos numa parceira com o governo mais em valor bastante modesto e irrisorio” comentou. Na noite de ontem quase todos os quiosques na Praça do Coco,nas lanchonetes em frente aos correios na praça Barão, ambulantes na beira-rio e em dezenas de restaurantes da orla do Santa Inês estavam sintonizados nas emissoras acompanhando a transmissão. “Nossos números de celular para interação ficaram congestionados, recebemos centenas de MSM muitos do município de Afua, Mazagão, Santana, Chaves e comunidades próximas, foi certamente uma experiência que deu certo e conquistamos altíssimos picos de audiência em toda a cidade, muita, mais muita gente sintonizada em um dos quatro canais da Rede Católica que estão em cadeia transmitindo o evento” disse Hélio Nogueira. Hoje domingo, termina a expo-feira e a emissora transmitira excepcionalmente o evento ate as 03 da madrugada.

Agenda da semana da Câmara: de 31/10 a 04/11

Os deputados podem votar projetos, em duas sessões extraordinárias, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 98/07, chamada de “PEC da Música”, que concede incentivos fiscais para a produção de CDs e DVDs. Reunião marcada para a tarde de hoje, segunda-feira (31), vai decidir a pauta para os próximos dias. Por conta do feriado de Finados, na quarta-feira (2/11), a Câmara não deve analisar medidas provisórias. Três MPs trancam a pauta, sendo que duas delas fazem parte do plano Brasil Maior. As MPs 541/11 e 543/11 prevêem, respectivamente, a criação do fundo de financiamento à exportação e a possibilidade de o governo conceder empréstimos em troca de operações de microcrédito. Já a MPV-542/2011 muda os limites de três parques nacionais: da Amazônia, dos Campos Amazônicos e da Mapinguari.

Feira do Empreendedor incentiva busca do conhecimento

Um espaço para quem busca qualificação e informação para atuar no mercado de forma sustentável. Esse foi o ponto destacado pelas autoridades presentes na abertura da Feira do Empreendedor do Amapá, nesta quarta-feira (26).  O governador do estado, Camilo Capiberibe, participou da cerimônia. Ele anunciou a assinatura nesta quinta-feira (27) de dois decretos: um que regulamenta Lei Geral da Micro e Pequena Empresa estadual e outro do Financiamento de Crédito para a Juventude, destinado a jovens empreendedores. Capiberibe também assinalou a realização, em 2012, do encontro de negócios e conhecimento Amazontech em Macapá. “Com o Sebrae, vamos trazer esse grande evento para cá”, afirmou. A deputada federal Dalva Figueiredo (PT/AP), que representou o presidente da Câmara, Marco Maia, elogiou a importância da Feira do Empreendedor para o estado. “Esse encontro de grandes talentos e pessoas pode gerar muitos empregos”, disse.  Aufeu Dantas Junior, presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, destacou o papel da Feira do Empreendedor para estimular o cenário econômico do Amapá. “É importante nos prepararmos, pois precisamos de empresas mais estruturadas e fortes”. Para o superintendente do Sebrae no Amapá, João Carlos Alvarenga, a feira trabalha com um produto intangível, que é o conhecimento, e pode contribuir para transformar o quadro social. “Precisamos pensar além do lucro. O meio ambiente e a inclusão social também são importantes. A feira reflete sobre isso”.  Participaram da abertura da Feira do Empreendedor do Amapá a diretoria do Sebrae no estado, parlamentares, representantes do Sebrae Nacional, governo federal, governo estadual, prefeitura e entidades empresariais. A programação segue até sábado (29), na Área de Exposição do Sebrae no Amapá. A agenda reúne palestras, cursos, oportunidades de negócios e atendimento empresarial. 

Serviço


Agência Sebrae de Notícias: (61) 3243-7852/ 2107- 9104/ 3243-7851/ 9977-9529
Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800
www.agenciasebrae.com.br 
www.twitter.com/sebrae 
www.facebook.com/sebrae 
Sebrae no Amapá - (96) 3312-2832

Orçamento, Plano Plurianual e créditos para ministérios na pauta da CMO

A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) tem 13 projetos de lei na pauta de reuniões de terça-feira (1º). Entre eles, o PL 29/11, que institui o Plano Plurianual (PPA) para o período 2012-2015, e o PL 28/11, que estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro de 2012 (Orçamento 2012). Além dos relatórios preliminares destas duas matérias, senadores e deputados devem analisar também proposições que autorizam a abertura de créditos para diversos ministérios: Fazenda, Planejamento, Transportes e Justiça são alguns das pastas a serem beneficiadas. A reunião da CMO está prevista para começar às 10 horas, no Plenário 2, do Anexo 2, da Câmara dos Deputados.

Orçamento

A proposta orçamentária tem o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) como relator. Foram recebidas 283 emendas à matéria, boa parte delas referentes a reajustes para servidores do Judiciário e do Ministério Público da União. O parlamentar opinou pela aprovação parcial de 32 e pela aprovação total de três delas.
O valor total da proposta orçamentária para 2012 é de R$ 2,23 trilhões. Desta vez, foi prevista a apresentação de emendas de iniciativa popular, reservando recursos adicionais de R$ 300 mil a R$ 600 mil para projetos de melhoria urbana em municípios de 5 mil a 50 mil habitantes. Os recursos serão repassados mediante transferência direta às prefeituras. A lista dos municípios beneficiados está no Anexo V do Orçamento 2012.  

Plano Plurianual

O PPA 2012-2015, por sua vez, tem como relator o senador Walter Pinheiro (PT-BA). Das 27 emendas recebidas, o relator opina pela rejeição de 25. O planejamento governamental para os próximos quatros anos, constante do PPA 2012-2015 e expresso nos programas, metas e iniciativas, aponta para dispêndios superiores a R$ 5,4 trilhões, o que representa incremento de 38% em relação ao PPA 2008-2011. Artigo do PL 29/11 estabelece que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano Brasil Sem Miséria integram as prioridades da Administração Pública Federal e terão tratamento diferenciado durante a execução do PPA. O relatório do senador Walter Pinheiro trabalha com quatro grandes áreas que agregam todos os 65 programas temáticos: Social (25 programas), Infraestrutura (15 programas), Desenvolvimento Produtivo e Ambiental (17 programas) e Especiais (8 programas). O PPA é a peça orçamentária correspondente ao planejamento de médio prazo do governo e deve ser examinado pelo Congresso Nacional até o fim da sessão legislativa de 2011 (22 de dezembro).

Créditos

Os projetos de abertura de créditos adicionais na pauta desta terça-feira da CMO são os seguintes:
* PL 5/11: R$ 24,3 milhões em favor do Ministério das Comunicações;
* PL 7/11: R$ 19,2 milhões em favor dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Turismo;
* PL 8/11: R$ 90,9 milhões em favor do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;
* PL 14/11: R$ 445,6 milhões em favor de empresas estatais;
* PL 15/11: R$ 16,5 milhões em favor dos Ministérios da Justiça e da Defesa;
* PLs 12/11 e 19/11: em favor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, nos valores de R$ 2,3 milhões e R$ 300 milhões, respectivamente.
* PL 23/11: R$ 1,12 bilhão em favor de empresas estatais;
* PLs 24/11 e 26/11, em favor do Ministério dos Transportes, nos valores de R$ 300 mil e R$ 71,7 milhões, respectivamente;
* PL 27/11: R$ 73,6 milhões, em favor do Ministério da Educação.  

Anderson Vieira / Agência Senado

País deve resistir à Fifa, diz Randolfe Rodrigues

Abnor Gondim - Diário do Comércio 
 A Lei Geral da Copa enviada pelo governo ao Congresso Nacional é uma “legislação de exceção” e submete uma nação soberana e em desenvolvimento aos caprichos de uma entidade internacional envolvida em uma série de irregularidades. “O Brasil não deve se submeter a essa chantagem da Federação Internacional de Futebol Associado [Fifa]“, defende o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor de requerimento aprovado na Comissão de Constituição e Justiça que convoca o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a prestar esclarecimentos sobre o tema. O senador do PSOL compara que “essa legislação assemelha-se às piores legislações impostas ao Brasil na época da ditadura. Suspende 14 dispositivos do Estatuto do Torcedor e impõe ao ordenamento jurídico brasileiro – e isso nunca ocorreu aqui – uma cláusula penal. Proíbe o brasileiro, na prática, de comemorar a celebração da Copa do Mundo sob pena de ser preso.” Rodrigues espera altivez do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que toma posse hoje, para não se curvar aos desmandos da Fifa. O partido promete ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a Lei Geral da Copa se ela não for alterada.
DCI: Qual é a sua avaliação sobre a proposta da Lei Geral da Copa encaminhada pelo governo?
Randolfe Rodrigues: Para o Brasil, a Copa do Mundo já começou, e a primeira partida do Brasil é contra a Fifa. A lei é uma imposição descabida da Fifa à soberania brasileira. Nas últimas Copas do Mundo, a Fifa tentou impor esse mesmo tipo de legislação de exceção: na Alemanha e na África do Sul . Na Alemanha, não conseguiu impor; na África do Sul, conseguiu. O Brasil vai ter de conseguir, através do seu parlamento, se portar diante da Fifa como a Alemanha se portou. Essa legislação é uma afronta à nossa soberania.
DCI: Quais são os pontos que o senhor considera mais críticos da proposta do governo?
RR: A Lei Geral da Copa suspende 14 dispositivos do Estatuto do Torcedor, que é o que tem de mais avançado com relação ao tema.
DCI: Deve ser mantida proibição ao consumo de bebidas alcoólicas?
RR: O Estatuto do Torcedor, como medida de prevenção, proíbe bebida alcoólica nos eventos esportivos. A Lei Geral permite a bebida, mas impõe uma condição: só pode ser permitida bebida de patrocinadora da Fifa. Ou seja, além de suspender medida de segurança que existe no Estatuto do Torcedor, traz a imposição de que todos os torcedores só utilizem bebida patrocinadora da Fifa.
DCI: Mais grave que isso, é o conceito que o professor Carlos Wagner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que diz que a Lei Geral traz o conceito de exclusão. Tudo em torno do evento esportivo fica sobre controle da Fifa. Aliás, controla o comércio também nesse entorno, não é isso, senador?
RR: Os torcedores que estiverem no entorno do evento esportivo também vão ser obrigados a utilizar somente as marcas dos patrocinadores da Fifa. A Lei Geral também detona a responsabilidade civil das entidades patrocinadoras de eventos esportivos. Excepcionalmente, com a Lei Geral, a Fifa não pode ser responsabilizada civilmente, por danos ocorram durante o evento. Essa é uma situação única, paradoxal que é a seguinte: toda responsabilidade sanitária, alfandegária e de saúde, é de responsabilidade da União. O mais grave que percebo é a imposição ao ordenamento jurídico brasileiro de uma cláusula penal, que é a seguinte: as marcas Mundial de 2014, Copa do Mundo e Brasil 2014 são exclusivas da Fifa. Se um brasileiro pintar o seu muro com Brasil 2014, em alusão à Seleção Brasileira, poderá ser processado pela Fifa. Pode, em decorrência desse processo, ser detido de dois a três meses e ainda pagar multa. Esse é o mais absurdo dos absurdos.
DCI: O deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator da Lei Geral da Copa, pondera que as exigências da Fifa podem ser aceitas porque são temporárias. Como o senhor analisa isso?
RR: É uma legislação que só existirá no País para atender aos caprichos da Fifa. Estamos fazendo uma concessão a uma entidade internacional, com dirigentes envoltos em suspeição por desmandos administrativos. Se o Brasil aceitar isso, qual o respeito que poderá ter no cenário internacional? Outra coisa é a seguinte: se o governo brasileiro sabia dessas imposições, quando assinou em 2007 o contrato para sediar a Copa, o povo brasileiro, o Parlamento brasileiro não sabiam dessa imposição. O governo deveria ter perguntado à representação do povo brasileiro, que é o Congresso Nacional, se aceitaria esse tipo de imposição. Por outro lado, o Brasil é grande demais para se dobrar a uma chantagem da Fifa. Proponho que não aceitemos essa imposição. E tenho certeza de que a Copa continuará sendo no Brasil. A Fifa não tirou a Copa da Alemanha pelo fato de ela não ter aceito essas condições. Ou o Brasil se submete ou vai se colocar como nação soberana, como país em desenvolvimento, com ascendência no mundo e na economia do planeta.
DCI: Qual é a sua avaliação sobre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira?
RR: Acho que esse senhor não teria condições de ser representante de uma entidade de esportes aqui no Brasil. Está envolvido em graves denúncias de má versasão de contratos e dos recursos do futebol brasileiro. Mas a ideia de convocá-lo para ir ao Parlamento é como representante da Fifa aqui e ouvir qual é a explicação da Fifa.
DCI: Qual é a sua opinião sobre a questão da meia entrada para os estudantes e para os idosos?
RR: São conquistas do povo brasileiro. Fui militante do movimento estudantil no final dos anos 80 e início dos anos 90. Participei de uma geração que foi às ruas para lutar por esse direito de ter a meia entrada em eventos culturais e em eventos esportivos para a juventude. Eu fui designado para relator do Estatuto da Juventude. Minha intenção é manter essas conquistas e não nos submetermos a essa pressão. São direitos humanos conquistados por idosos e pela juventude brasileira.
DCI: O senhor já avaliou o Regime Diferenciado de Concorrência (RDC), feito para a Copa e as Olimpíadas?
RR: Votei contra o RDC, porque é drible ao artigo 37 da Constituição, que pauta a administração pública pelos princípios da moralidade, da impessoalidade, publicidade e eficiência. A moralidade é sacramentada nas compras públicas por meio do processo licitatório. Já flexibilizamos a Lei das Licitações [Lei 8.666] e por culpa disso, segundo o relatório do Tribunal de Contas da União, os preços para a construção dos estádios dobraram.
DCI: Qual deve ser a postura do novo ministro do Esporte, deputado Aldo Rebelo?
RR: Falar firme e grosso e com altivez diante da Fifa. O ministro do Esporte é ministro do Esporte do Brasil, do Estado brasileiro. O deputado Aldo Rebelo sempre foi reconhecido por sua postura em defesa do Brasil.
DCI: Em relação ao ingresso de estrangeiros, a Fifa defende a flexibilização por se tratar de um evento internacional. Isso é razoável?
RR: Já que estamos falando em futebol, temos de definir as regras do jogo anteriormente. Se haverá uma flexibilização, que seja para todos os estrangeiros e não somente para os convidados da Fifa. Primeiro, acho que isso fere a regra do direito internacional, que é regido pelo princípio da reciprocidade.
DCI: Ação judicial se a proposta for aprovada?
RR: O texto como está é inconstitucional. Espero que a Câmara mude. Se isso não ocorrer, não titubearemos de recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
Quem é
Randolfe Rodrigues é pernambucano de Garanhuns, reside no Amapá desde os oito anos de idade, onde se formou em história pela Universidade Federal e atuou como professor. Em 2010, foi o senador mais votado do Estado do Amapá com 203.259 votos, tornando-se o mais jovem integrante do Senado Federal da atual legislatura.

Primeiro-ministro de Portugal é recebido pelo presidente Sarney

O presidente Sarney (PMDB-AP) ofereceu almoço, hoje, na residência oficial do Senado Federal, ao primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho. Presentes também o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e o embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva.

Bases do relacionamento

Em maio de 1986, o então presidente da República José Sarney realiza longa visita a Portugal (5 dias) quando é recebido com homenagens e honrarias pelo presidente português Mário Soares. Por sua vez, Soares retribui a visita vindo ao Brasil no ano seguinte, ocasião em que os dois presidentes criam a Comissão Luso-Brasileira para as comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil. Em 1988, o primeiro-ministro de Portugal, Aníbal Cavaco, desembarca em Brasília. As novas bases de relacionamento com Portugal estão intimamente ligadas à amizade que se formara entre os presidentes Sarney e Mário Soares. A geopolítica concebida por Sarney para as relações Brasil-Portugal tem seu ponto alto na criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. A presença de Portugal oferece um lastro importante ao agrupamento, promovido pelo governo Sarney, dos países lusófonos. 


Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado 

Fernando César Mesquita

O papel de Sarney

Se existe alguém com um rico histórico de contribuições à consolidação dos valores democráticos é o senador José Sarney. No registro de sua vida não há atos que o desabonem, e desafio que provem o contrário. Inverdades são publicadas e os esclarecimentos ignorados, como se a liberdade de imprensa valesse apenas para quem ataca e condena sem provas. Trabalhei em seu governo e continuo ao seu lado no Senado. Por desinformação, tentam manchar-lhe a honra e desqualificá-lo. Lembram as orquestrações nazistas, quando multidões erguiam o braço na saudação ao Führer que as concitava com palavras de ordem de morte aos judeus, aos ciganos e aos comunistas, embriagadas pelo fanatismo instrumentado por Goebbels. Assim acontece hoje com pessoas de boa-fé manipuladas por gente odienta que, em passeatas e shows de rock, repete slogans banais. Quem pesquisar a história do Brasil dos últimos 50 anos constatará que a vida de Sarney foi marcada pela preocupação com as liberdades públicas, a cidadania e a modernização do Estado. Foi um dos criadores da "Bossa Nova da UDN" - grupo de deputados inconformados com o conservadorismo do partido - e integrou a Frente Parlamentar Nacionalista. No Senado dos anos 70, foi precursor na defesa do meio ambiente e mais tarde se empenharia na realização da Rio 92. Em dezembro de 1978 relatou a Emenda Constitucional nº 11, que revogou todos os atos institucionais e complementares impostos pelos militares. Acompanhei-o na formação da Frente Liberal, que resultou na eleição de Tancredo Neves, cujos compromissos Sarney respeitou na montagem de seu governo. Legalizou todos os partidos políticos, assegurou a liberdade sindical, acabou com a censura prévia, foram realizadas as primeiras eleições diretas para prefeito das capitais em 20 anos. Na política externa, reaproximou o Brasil da China e da então URSS e reatou relações diplomáticas com Cuba. Estreitou o diálogo com a Argentina, criou o Mercosul e foi firme diante dos EUA na defesa do interesse nacional. Sarney convocou a Assembleia Nacional Constituinte, que produziu uma Carta garantindo amplos direitos sociais e incorporando os princípios de democracia direta. Seu governo inovou em todos os setores. Criou-se o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; o Ministério da Reforma Agrária; instituiu-se o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde, o SUDS, que universalizou o atendimento médico. A questão ambiental foi levada a sério com a criação do Ibama; foi dele a Lei de Incentivo à Cultura, atual Lei Rouanet; instituiu o vale-transporte que beneficia milhares de trabalhadores; fez o Programa do Leite, que atendia 7,6 milhões de crianças por dia; pela igualdade racial defendeu sanções contra a África do Sul e criou a Fundação Palmares. Foi o primeiro parlamentar a propor uma política de cotas para negros. Na área econômica e financeira, surgiu a Secretaria do Tesouro Nacional; foi extinta a conta-movimento do Banco Central no Banco do Brasil, unificado o Orçamento Geral da União e criado o Siafi. Foi dele a ideia do seguro-desemprego e de proteção da moradia do trabalhador contra penhora. Também o projeto de lei que garantiu aos portadores de HIV acesso gratuito a medicamentos. Sarney abriu o Senado ao País com a rádio e TV Senado ao vivo. Toda a atividade parlamentar está on-line na internet, como também a administração da Casa. O senador convocou juristas para reformar os Códigos Civil, Penal, de Processo Civil e de Defesa do Consumidor, além das reformas política e eleitoral em tramitação no Congresso. Erros administrativos do Senado foram reparados por proposta de Sarney, que encomendou à FGV uma auditoria na Casa. Omissões e falhas de servidores foram apuradas, e os culpados, punidos. A reforma do funcionamento do Senado será concluída até o fim do ano. Sarney tem defeitos como todo ser humano, mas os serviços prestados ao País o fazem credor do respeito dos seus compatriotas. É injusto e imperdoável o linchamento moral que fazem de sua biografia.

Fernando César Mesquita é jornalista e secretário de Comunicação Social do Senado. Foi porta voz da Presidência da República no governo Sarney. Foi presidente do IBAMA e governador de Fernando de Noronha em 1987. Fernando César coordenou toda a implantação do sistema de comunicação do Senado, em destaque a TV Senado, veículo que foi referência para a criação de outras tevês públicas. Recentemente comandou o planejamento estratégico da SECS.

Fátima Pelaes comemora aprovação de multa para salário diferenciado entre homens e mulheres

Mais uma vitória para as mulheres pode ser comemorada essa semana. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou na quarta-feira (26) o Projeto de Lei 6393/09, que estabelece multa para empresa que pagar salários menores às mulheres do que aos homens ocupantes da mesma função. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salário mensal médio recebido pelas brasileiras em 2009 foi 20% menor do que pago aos homens. Enquanto eles receberam R$ 1.682,07 (3,6 salários mínimos da época), as trabalhadoras ganharam R$ 1.346,16 (2,9). O salário médio do brasileiro ficou em R$ 1.540,59 (3,3 salários). Para a deputada Fátima Pelaes (AP), presidente do PMDB Mulher, a aprovação desse projeto é uma importante conquista para todas as mulheres. “Essa é uma luta antiga. Muitas mulheres, chefes de família, mesmo exercendo função idêntica aos homens ganham bem menos que eles. Agora vamos acabar com essa injustiça”, disse. A proposta, que tramita em caráter conclusivo, já havia sido aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Agora segue para a análise do Senado, a não ser que haja recurso para votação no Plenário da Câmara. Segundo o texto, a multa será correspondente a cinco vezes a diferença salarial verificada em todo o período do contrato.

Coluna "Argumentos"

Revelações

Em seu artigo semanal, intitulado “A burrice e a política”, o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), atual senador pelo Amapá, revela bastidores dos tempos em que era o titular do Palácio do Planalto. Por falar em intimidades, Sarney também faz inúmeras revelações sobre sua vida privada na entrevista de domingo que o Diário traz hoje.

Lula doente

Dois dias depois de comemorar seu aniversário de 66 anos, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o diagnóstico de que é portador de um câncer na laringe. A notícia foi dada a ele por médicos do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mas segundo as primeiras informações, ele fará tratamento de quimioterapia ambulatorial.

Uma pista

Provocado pelo colunista, o deputado estadual Manoel Brasil (PMN) admitiu as especulações a respeito de virar secretário de Estado. Falou-se que seria a pasta da Saúde, mas ele já disse que não. Estaria mais inclinado a atuar na pasta do Turismo, onde passou a ser entusiasta e até empreendedor. A confirmar.


Observadores

Os profissionais de Turismo que foram ao Rio de Janeiro na semana passada saíram revigorados com as muitas observações e informações repassadas por autoridades e especialistas que a Feira das Américas reuniu no Rio Centro, local onde aconteceu o tradicional evento. Nesta foto, algumas personalidades do setor no Amapá, Silja, Olavo, Edir, Irá, Marcelo (RJ), Nira, Obede e Marquinhos.

Causa própria

Como mais jovem senador da República, o representante amapaense Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) acaba de ser designado relator do Estatuto da Juventude, no Congresso Nacional. Falando sobre o tema ontem no rádio, ele se disse feliz, afinal começou a vida pública como Assessor da Juventude do Governo do Amapá e só depois chegou à Assembleia Legislativa.

Qualificação

O economista e ex-eputado federal Jurandil Juarez (PMDB-AP) disse lamentar que o Amapá esteja vendo o bonde da história passar, com relação à qualificação de mão de obra local para o atendimento das vagas abertas pelas construções de usinas hidrelétricas nos rios Araguari e Jari. “Há muito tempo se sabia que seria preciso qualificar operários que estão vindo de fora”.

Treinamento

Ainda a respeito das hidrelétricas, o poderoso empresário Paulo Godoy, do grupo Alupar, responsável pelas obras da Hidrelétrica de Ferreira Gomes, disse que um Centro de Treinamento seria construído para treinar moradores da região pró-xima ao empreendimento. No auge da construção, a previsão é de que sejam gerados 2 mil empregos diretos por lá.

Efeito

Em visita ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Jari, o deputado estadual Bruno Mineiro (PTdoB), que integra a Comissão do Meio Ambiente da AL, disse que existem preocupações com relação a todas as previsões apontadas pelos estudos de impacto ambiental, dentre elas a de que por um ano as cachoeiras de Santo Antônio ficarão sem quedas d’água.

Randolfe é relator do Estatuto da Juventude

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o mais jovem da presente legislatura, foi escolhido como relator do Projeto de Lei 4529/04, o Estatuto da Juventude, marco legal que vai assegurar uma série de direitos para pessoas de 15 a 29 anos em todo o território nacional. Aprovado na Câmara dos Deputados em 05 de outubro, o estatuto entra em tramitação agora no Senado. Randolfe é favorável ao texto aprovado pela Câmara, resultado de amplo debate com as instituições representativas dos jovens brasileiros, tendo sido o primeiro projeto a contar com colaborações via internet. O Senado realizará três audiências públicas sobre o tema, a primeira no Amapá. “É com singular emoção que recebo a informação de que relatarei o estatuto da juventude. Um flasbach que me levou para o início da militância política, no final dos anos 80 início dos 90. Nessa época tive minha primeira experiência na área de políticas públicas para a juventude. Realizamos no Amapá, muito antes do restante do pais, a primeira Conferência Estadual de Juventude”, diz Randolfe. O Estatuto estabelece diretrizes para elaboração de políticas públicas e cria o Sistema Nacional de Juventude. Assegura direitos históricos como a meia passagem e a meia entrada em eventos culturais, esportivos e de entretenimento. Estabelece também o percentual de 30% do Fundo Nacional de Cultura para projetos voltados para a juventude, além de fortalecer políticas específicas para essa faixa etária nas áreas de educação, saúde e emprego. “Quero ser ágil em dar meu parecer ao projeto  na Comissão de Constituição e Justiça. Pretendo conversar com os lideres para pedir urgência em sua aprovação. Ele é o resultado das lutas da juventude nos últimos 20 anos”, afirma o senador.

Maia tentará votar royalties na segunda semana de novembro

Arquivo/ Rodolfo Stuckert
Marco Maia
Marco Maia disse que a aprovação do texto dos senadores seria melhor para todos os estados.
O presidente da Câmara, Marco Maia, vai tentar colocar em votação na segunda semana de novembro a proposta que redefine a distribuição dos royalties  do petróleo entre os estados (Projeto de Lei do Senado 448/11). Segundo ele, isso ainda depende de um acordo de líderes do governo e da oposição para liberar a pauta do Plenário, que está trancada por medidas provisórias.
Uma reunião dos líderes partidários da Câmara e do Senado para discutir a matéria estava marcada para esta terça-feira, mas o próprio Marco Maia pediu que ela fosse cancelada até ser definida a data de votação.
"Temos de trabalhar agora para destrancar a pauta da Câmara no que diz respeito às MPs, para depois poder pautar os royalties. Enquanto isso há um entendimento, que continua em vigor, de não analisarmos o veto [do ex-presidente Lula ao texto aprovadoantes pela Câmara] enquanto estivermos discutindo um acordo para a votação da proposta dos royalties aqui na Câmara", explicou.
Para o governo a prioridade, no entanto, é aprovar em Plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 61/11, que prorroga até 2015 a vigência da Desvinculação de Receitas da União (DRU).
Regra do Senado
O texto sobre os royalties aprovado no Senado na semana passada diminui o valor dos recursos destinados à União e aos estados produtores de petróleo, e inclui os demais estados não produtores no rateio. Na avaliação de Marco Maia, o ideal seria que os deputados chegassem a um acordo para votar a mesma redação aprovada no Senado.
“É preciso entender que há apenas três estados produtores e outros 24 não produtores, portanto com maior representação. Assim, qualquer mudança no texto do Senado não será para melhorar vida dos produtores, mas sim a arrecadação dos não produtores. Por isso eu tendo a achar que, se pudéssemos chegar a um acordo para votar a proposta como veio do Senado, seria melhor para todos”, analisou Marco Maia.
Parlamentares de estados produtores estão descontentes com a perda de arrecadação e devem tentar reverter o quadro durante a votação na Câmara. O líder do PT, Paulo Teixeira (SP), reconheceu que os deputados vão tentar mudar a proposta. “O relatório do Senado melhora a proposta de se derrubar o veto, mas ainda está cheio de atritos”, avaliou.
A aprovação do projeto pelo Senado foi uma alternativa à análise do veto do ex-presidente Lula ao dispositivo que previa a distribuição igualitária entre os estados e municípios de toda a receita de royalties, sem diferenciar produtores ou não. A redação do Senado garante uma fatia maior aos estados produtores.
Reportagem – Geórgia Moraes e Carol Siqueira
Edição – João Pitella Junior

Nota ao Estado de S. Paulo sobre ações em relação à Lei de Acesso às Informações Públicas

A Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado divulgou nota na quinta-feira (27), encaminhada ao jornal O Estado de São Paulo, em resposta à publicação do jornal sobre as posições adotadas pelo presidente do Senado, senador José Sarney, em relação ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) 41/10, conhecido como Lei de Acesso às Informações Públicas.
Leia a íntegra:

"Senhor Editor,

Em entrevista publicada na edição de hoje (27/10) de O Estado de SP,  o Senhor Marco Antonio Villa faz assertivas improcedentes e totalmente desconectadas das posições adotadas pelo presidente do Senado Federal, José Sarney.
Referindo-se à Lei de Acesso às Informações Públicas, afirma: “O atual presidente do Senado, José Sarney, também colocou inúmeros obstáculos para a aprovação do projeto, porque quer evitar revelações sobre seu qüinqüênio no governo, que todos sabemos que foi desastroso”.

Improcedência 1 - No trâmite do projeto, o presidente Sarney cumpriu rigorosamente o Regimento Interno do Senado, sempre tomando decisões de  comum acordo com as lideranças da Casa;

Improcedência 2 -  No dia 13 de junho último a imprensa noticiou a posição do presidente Sarney sobre as informações acerca de seu governo: Sarney disse que os documentos sigilosos que digam respeito ao “passado recente” do país devem ser divulgados: “Quanto ao passado recente, penso que deva ser liberado mesmo. Quanto a mim, os meus documentos já são públicos, estão na Fundação José Sarney mais de 400 mil documentos para todas as consultas”.
 Quanto à avaliação do período do governo Sarney, a própria História desqualifica a agressão. Vale, portanto, algumas menções:
- Em dezembro de 1978 José Sarney relatou a Emenda Constitucional nº 11, que revogou todos os atos institucionais e complementares impostos pelos militares;
- Na presidência da República legalizou todos os partidos políticos, assegurou a liberdade sindical, acabou com a censura prévia e determinou eleições diretas para a presidência e capitais;
- Na política externa, reaproximou o Brasil da China e da então URSS e reatou as relações diplomáticas com Cuba. Estreitou o diálogo com a Argentina, viabilizando a criação do MERCOSUL;
- Convocou a Assembléia Nacional Constituinte, que produziu uma Carta garantindo amplos direitos sociais, incorporando os princípios de democracia direta;
- Criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e o Ministério da Reforma Agrária,  além de  instituir o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde, o SUDS, precursor do SUS e que universalizou o atendimento médico no país;
- Na questão ambiental criou o IBAMA e na cultural a Lei de Incentivo á Cultura, atual Lei Rouanet;
- Instituiu o Vale-Transporte; fez o Programa do Leite, que à época atendia 7,6 milhões de crianças/dia;
- Pela igualdade racial defendeu sanções contra a África do Sul e criou a Fundação Palmares;
- O Siafi,  também criado pelo presidente Sarney, em 1987, continua sendo a melhor ferramenta para o controle e a transparência das contas públicas;
-  Ainda em 1987, o presidente Sarney determinou a extinção do orçamento monetário  e de todas as formas de arranjos paralelos. Criou a Secretaria do Tesouro Nacional,  que absorveu as funções de execução orçamentária até então a cargo de um departamento do Banco do Brasil.

Secretaria de Imprensa do Gabinete da Presidência do Senado".

Palmares precisa quadruplicar quadro


A realidade encarada pela Fundação Cultural Palmares é mais um exemplo da situação crítica que envolve as etapas de licenciamento de obras no país. A instituição, vinculada ao Ministério da Cultura, foi criada em 1988 para promover e preservar a cultura afro-brasileira. Nos seus quadros há meia dúzia de funcionários para analisar e despachar os pareceres do licenciamento. Nos processos de licenciamento ambiental, cabe à fundação atuar para garantir os direitos de comunidades quilombolas que venham a ser afetadas pelos empreendimentos. Das 1.715 comunidades quilombolas certificadas, ou seja, delimitadas e protegidas, a maioria (72%) está localizada no Norte e Nordeste do país, regiões que hoje concentram boa parte das grandes obras de infraestrutura e logística que estão sendo feitas. O contato com áreas protegidas torna-se, dessa forma, quase inevitável, como apontam os relatórios da Fundação Palmares. De janeiro de 2008 a agosto de 2011, foram impactadas 557 comunidades quilombolas localizadas em áreas de influência direta e indireta de empreendimentos como gasodutos, linhas de transmissão de energia, hidrelétricas, ferrovias e rodovias. "Temos seis colaboradores para responder por todo esse trabalho de estudo para o licenciamento. Por conta disso temos atendido com muita dificuldade", diz o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araújo. "Algumas comunidades querem nos enforcar nas ruas por conta da demora, mas a situação exige paciência."

Novo Código Florestal em debate com MST, indígenas, quilombolas e CNBB

Começou há pouco audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) para debater o projeto de lei da Câmara (PLC 30/2011) que estabelece um novo Código Florestal. A audiência está sendo realizada na sala 2 da Ala Nilo Coelho. Participam do encontro representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, dos povos indígenas e dos quilombolas, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além do especialista Raul Silva Telles do Valle, representante do Instituto Socioambiental. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) já aprovou parecer à matéria, que agora encontra-se em exame nas comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

Veja também:

Crítica: 'Tancredo, a travessia'

Paulo Marcio Vaz  - Jornal do Brasil

Depois que a ditadura militar se foi, ficaram histórias, imagens, depoimentos, memórias que precisavam ser reunidas por alguém com competência para fazer um filme  que não soasse maçante ou meramente didático. Em Tancredo, a travessia, Silvio Tendler, que tem no currículo os documentários Os anos JK e Jango, soube fazer e contar bem a história de mais um dos grandes líderes políticos brasileiros. A maior riqueza de Tancredo, a travessia está nos depoimentos, colhidos especialmente para o documentário, de personagens como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador Aécio Neves - neto de Tancredo, - e de outros políticos como Jarbas Vasconcelos, Fernando Lira, Almino Afonso e José Sarney, além do general Leônidas Pires Gonçalves, escolhido por Tancredo para ser ministro do Exército. Entre os artistas, participam nomes como Cristiane Torloni, Milton Nascimento e Fafá de Belém, apenas três dos inúmeros ativistas engajados que subiram no palanque de Tancredo e das Diretas Já. É importante deixar claro que, no filme, a opção parece ter sido a de ouvir apenas os aliados do político mineiro, ou seja, os que viveram ao seu lado sua trajetória, da Era Vargas à campanha das Diretas. Paulo Maluf, por exemplo, aparece apenas no contexto da época. Nada de depoimento para o filme. A opção de Tendler, nesse caso, é discutível. Mesmo com o filme jogando 100% a favor, sem constestações, para quem viveu ativamente aquela época, fica difícil não se emocionar com a conscientização e mobilização populares geradas em torno da campanha das Diretas, e da capacidade de Tancredo para transitar entre companheiros e opositores. E para quem não viveu a ditadura, nem a transição para a democracia, Tancredo, a travessia vale, e muito, como um belo ponta pé inicial para se conhecer mais de perto a história política brasileira.


Acompanhe

Clique para ampliar