quinta-feira, 17 de maio de 2012

Nota do "Amapá no Congresso" para leitor do "Bronca Geral", do Cláudio Humberto

Amigos e amigas leitores, mandamos a resposta abaixo para o excelente jornalista Cláudio Humberto. No seu “Bronca Geral”, o senhor Paulo Corrêa de Araújo, de Vila Velha – ES, escreveu hoje alguns equívocos:

“Sarney pode contar tudo

Fez nojo ver Sarney retornando ao Senado, e sendo lambido do pés à cabeça por alguns senadores, felizes pela sua volta, e porque ele esteve no lançamento da Comissão Vermelha, já que ele, como disseram vários, foi um baluarte na redemocratização do país, ao assumir o governo. Esse senhor, como tantos outros, logo aderiu ao governo do militares, à Arena, foi fiel a eles, foi governador nesse período, e só saiu nos últimos dias de Figueiredo, do qual era líder no Congresso, porque viu que os militares não tinham mais interesse em ficar no poder, mas ele, Sarney, tinha, onde continua até hoje. Então, se querem provar que os militares não fizeram nada a não ser prender, torturar e matar, ninguém melhor que Sarney para confirmar isso, já que esteve todo esse tempo ao lado deles.”

Abaixo, esclarecimento necessário para a Verdade Histórica e em respeito aos leitores. Confiram. Deve sair ao longo do dia. Vamos aguardar. Cláudio Humberto faz jornalismo sério e tem caráter democrático

Sarney foi garantia moral para a abertura de Geisel

Prezado Paulo Corrêa de Araújo, de Vila Velha – ES:

Desculpe, mas, democraticamente, tenho que discordar do senhor, que foi injusto com Sarney. O senador foi garantia moral para a abertura de Geisel. ELEITO em 1966, foi único governador que protestou formalmente contra o AI-5, enquanto os outros se calaram, tendo também, por diversas vezes, feito pronunciamentos no Congresso advogando a necessidade de retorno à normalidade democrática o quanto antes.  Pelas suas peculiaridades políticas conciliadoras, Sarney não diferia em nada de um Tancredo ou de um Teotônio Vilela. Este último, assim como Sarney, também participou da ARENA, mas nunca deixou de ser um ícone da luta democrática. O primeiro, Tancredo, em outro contexto, o da Ditadura Vargas, foi chefe do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda -, notório instrumento de doutrinação ideológica e de repressão à liberdade de expressão. Mas este fato, também, não impede que se possa afirmar que Tancredo tenha sido um batalhador pela democracia no Brasil. Sarney, em decorrência de diversos discursos conciliatórios e pró-restauração democrática, foi alçado à condição de presidente da ARENA por Geisel. Justamente no momento em que, depois da morte do jornalista Wladimir Herzog, o presidente teve que peitar a “Linha Dura” e os setores mais conservadores da ARENA. Sarney foi a pessoa certa para o papel, o que lhe proporcionou grande oposição interna na própria ARENA. Tancredo sempre soube disso. Sarney foi da ARENA por imperativo do AI-2, que impôs o bipartidarismo. A participação num ou noutro dos dois partidos existentes à época não era um livre jogo de vontade, mas uma imposição. Como Sarney tinha sido da antiga UDN, partido historicamente antigetulistas e radicalmente contrário a Jango, não haveria sentido não optar, diante do arbítrio do bipartidarismo, naquele momento, pela ARENA.

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