segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Destaques das revistas

"Ah, as mulheres são as mulheres. Por isso é que eu sou cada vez mais mulher"
(Lula, acreditando que a seleção brasileira de futebol feminino ganharia medalha de ouro em Pequim)

As Forças Armadas segundo Jobim

Plano de Defesa Nacional prevê França como parceira estratégica e tecnológica na Marinha, Aeronáutica e Exército
OCTÁVIO COSTA E HUGO MARQUES
PAPEL VITAL Jobim com almirantes: com o pré-sal, aumenta a importância da Marinha na defesa do território

O dia 7 de setembro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregará ao presidente Lula o Plano Estratégico de Defesa Nacional. O projeto vai além da compra de equipamentos bilionários para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O objetivo é mudar a concepção de defesa nacional e redirecionar as prioridades das três Forças. Como principal parceiro no plano militar para as próximas décadas foi escolhida a França de Nicolas Sarkozy. É de lá que virão equipamentos como submarinos convencionais, helicópteros e, quase certo, também os caças supersônicos. Sarkozy ganhou a disputa ao garantir ao presidente Lula que a França não criará nenhum obstáculo à transferência de tecnologia para o Brasil. "Temos acordos com os franceses no que diz respeito à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica. Em 23 de dezembro, o termo de aliança estratégica com a França será assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy", antecipou o ministro Jobim em entrevista exclusiva à ISTOÉ. "Isso nos dá a possibilidade de sair ao largo da hegemonia americana no setor. O que faz parte da linha de ação do Conselho de Defesa Sul-Americano." A forte contribuição da França começa pelo mar. Caberá à Marinha os maiores investimentos no plano de Jobim. O Brasil construirá submarinos em parceria com a francesa DCN (Direction des Constructions Navales). Inicialmente, serão fabricados três submarinos convencionais Scorpène, de propulsão a diesel. Depois, o Brasil vai incorporar a tecnologia da DCN para produzir seu primeiro submarino de propulsão nuclear. "O Scorpène nos dará condições de produzir a parte não nuclear do submarino de propulsão nuclear, que é a tecnologia de rigidez do casco", diz Jobim. "O submarino nuclear é uma decisão já tomada." O acerto entre os dois países na área marítima foi negociado entre Lula e Sarkozy durante reunião em Caiena, em fevereiro. Para os acertos finais do acordo, o chefe do Estado- Maior da Presidência da França, Edouard Guillaud, assessor militar do presidente, esteve duas vezes em Brasília, a última no dia 23 de julho. O projeto completo dos submarinos chega a US$ 7 bilhões, cifra que pode mudar. "Talvez, mais", diz Jobim. O País, no momento, negocia na ONU a extensão das águas jurisdicionais das atuais 200 milhas para 350 milhas, o que aumentará a área de 3,5 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo todo o mega-campo de petróleo Tupi.Para o Exército, uma das novidades é a construção de postos em todas as áreas indígenas de fronteira. Hoje, o Exército tem 17 mil soldados na região. Os soldados índios receberão fuzis novos, binóculos de visão noturna e chips nos equipamentos, para rastreamento. É o que o ministro chama de "soldado do futuro". "Um soldado índio com chip", explica Jobim. "É outro ponto em que contamos com a colaboração dos franceses." O ministro afirma que o Brasil já tem os guerreiros de selva mais competentes do planeta, mas destaca que os novos equipamentos irão inserir o Exército na modernidade. "Os marines americanos foram lá fazer treinamento e quase morreram, foram embora doentes, de maca, cheios de mosquito, não se agüentam." O Exército possui 184 mil homens. Juntas, as Forças Armadas têm 308 mil homens, mas a maioria do aquartelamento está no leste do País.O governo pretende criar na Amazônia a figura do "exército móvel". São brigadas com grande capacidade de mobilidade e logística. Para atender os batalhões móveis, o governo vai investir pesado na construção de blindados sobre rodas em Sete Lagoas, Minas, um projeto da Fiat-Iveco, e nos aviões C-390 da Embraer, semelhantes aos Hércules americanos. O plano prevê a integração ainda maior do Exército com a FAB, que vai dar suporte aéreo principalmente na Amazônia. Outra ferramenta importante do exército móvel serão os 50 helicópteros fabricados em Itajubá, pela Helibrás, consórcio com a também francesa Eurocopter. A fábrica atenderá as três Forças. O modelo Cougar 725 não é ataque: destinase ao transporte de materiais e tropa. Esse acordo já foi assinado (...)

SUPERIORIDADE AÉREA
O Rafale, caça supersônico de 4ª geração fabricado pela Dassault Aviation



SOBERANIA NO MAR
O Scorpène, diesel-elétrico, será o primeiro passo para o submarino nuclear


A estranha história do homem-bomba



Hugo Chicaroni tem duas versões: uma contra Daniel Dantas e outra contra Protógenes Queiroz. Onde está a verdade?
LEONARDO ATTUCH

De todos os personagens trazidos a público pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, nenhum ocupa uma posição tão relevante na trama quanto o professor Hugo Chicaroni, que se apresenta como coordenador de desenvolvimento de projetos de um núcleo da Universidade de São Paulo. Ao ser filmado na companhia de Humberto Braz, assessor direto do banqueiro Daniel Dantas, Chicaroni se transformou na testemunha-chave do caso. O vídeo da PF seria a prova de que o dono do grupo Opportunity teria mandado oferecer suborno de US$ 1 milhão aos delegados Victor Hugo Ferreira e Protógenes Queiroz para que ele e seus familiares fossem excluídos das investigações. O grande enigma, no entanto, é que o professor já prestou dois depoimentos - e as versões são contraditórias. Chicaroni falou pela primeira vez na noite de 9 de julho, logo após o habeas-corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em favor do banqueiro. Naquela ocasião, quando estava preso na superintendência da PF em São Paulo, o professor foi ouvido pelos delegados e confirmou a oferta de suborno, feita em nome do Opportunity. Foi essa "confissão" que levou o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, a determinar a segunda prisão de Dantas, abrindo um confronto direto com o STF. Um mês depois, no dia 7 de agosto, Chicaroni voltou a falar. Desta vez, na presença do juiz De Sanctis, já como réu no processo por corrupção ativa. Sua nova versão é a de que não houve oferta de suborno - ao contrário, o dinheiro teria sido pedido pelos delegados. Protógenes, segundo o professor, seria seu amigo há sete anos. Num dos trechos, Chicaroni afirma: "Eu não dei um passo nesse caminho que não tenha sido orientado pelo delegado Protógenes Queiroz."(...)Em vários aspectos, a história do professor surpreende. Depoimentos contraditórios, conflitos entre as versões dos advogados e uma amizade de sete anos com o delegado que o prendeu são elementos incomuns em investigações da Polícia Federal. Uma hipótese é a de que, em seu segundo depoimento, o professor tenha combinado a sua defesa com os advogados do grupo Opportunity. Chicaroni nega. "Eu estava preso, incomunicável e nem sequer tenho os telefones deles", diz o professor. "O que eu quero é a verdade", insiste. As múltiplas versões de Chicaroni só tornam a história ainda mais nebulosa. Caberá ao juiz Fausto De Sanctis, que preferiu não falar sobre as contradições dos depoimentos, dissipar a cortina de fumaça do homem- bomba.

Leia estas e outras matérias na edição desta semana da revista IstoÉ

"Eu, que combati em nome do país, não tenho qualquer direito. Eles, que enfrentaram o país, já receberam indenização. Fomos abandonados, esquecidos”
(Gamboa Miranda, ex-militar que foi obrigado a combater no Araguaia nos anos 70 contra guerrilheiros de esquerda)

A tribo quer dinheiro



Um grupo indígena cobra uma indenização milionária do governo de Brasília para deixar uma área valorizada da capital
RODRIGO RAGEL

Talvez por culpa dos ares de Brasília, cidade famosa por tantos negócios que rendem comissão de 10%, um grupo de índios que mora na capital quer cobrar essa mesma porcentagem para se retirar de uma das áreas mais valorizadas da cidade. Alegando ser habitantes originais do Setor Noroeste, uma área de 825 hectares que o governo do Distrito Federal pretende vender para a iniciativa privada e transformar num bairro residencial para a classe média alta, um grupo de 27 indígenas de três etnias negocia uma recompensa para deixar o lugar. Querem R$ 74,8 milhões – cerca de R$ 3 milhões por cabeça –, ou um décimo do valor da área no mercado imobiliário. Entre outras razões, eles dizem que, no lugar, é possível encontrar vestígios de Tupã, divindade reverenciada por boa parte das nações indígenas do país.



Os 27 índios pertencem às etnias fulniô, cariri-xocó e tuxá. Moram num pedaço de Cerrado a 13 quilômetros da Praça dos Três Poderes, onde estão o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Eles estão divididos em nove famílias. Suas aldeias originais se localizam em pontos distantes de Brasília. Todos têm celular. Moram em casas sem luz elétrica, mas assistem à televisão a bateria. Criam galinhas e patos, plantam frutas e verduras.Uma parte dos índios instalou-se no local nos anos 80, quando Brasília foi dominada pelo burburinho das Diretas Já e da Constituinte. Os demais chegaram há menos de dez anos. Suas moradias têm o formato de tradicionais ocas indígenas, mas ostentam a alvenaria e as janelas comuns em bairros populares. Muitos ganham a vida como artesãos e vendem suas mercadorias em feiras e estabelecimentos comerciais. Um dos moradores é funcionário público. Agora, pedem recompensa para sair. O pedido de indenização foi entregue à Terracap, estatal que administra as terras públicas da capital.A briga dos pajés, como se autodenominam as lideranças da tribo, é avalizada pela Funai, a Fundação Nacional do Índio. “Se os índios tiverem de sair de lá, têm de sair com alguma recompensa”, diz o presidente da Funai, Márcio Meira. “Não podem ser tratados como pessoas de segunda classe.” É um argumento freqüente, num país onde invasores – de qualquer tipo – conseguem se estabelecer em áreas que não lhes pertencem e resistir a tentativas de ser deslocados com facilidade, como se verifica em tantas áreas urbanas ou no meio rural.(...)Na semana passada, o grupo de Ivanice teve uma baixa. O índio Mareval desistiu de pedir indenização. “Isso é esperteza de advogado”, diz Mareval. Ele vive na área com a mulher branca e o filho de 4 anos. É o único que diz aceitar a proposta do governo de mudar para outra área. Conflito de espertezas – e também de culturas –, a disputa de Brasília é a caricatura de um país que até hoje não foi capaz de ajustar contas com seus primeiros habitantes.

Um suspeito dentro do PT

Dirigente do partido é investigado por manter contatos com um lobista preso por fraudes em obras do PAC
MURILO RAMOS
RARIDADE

A Justiça autorizou grampo no telefone de Romênio Pereira, mas a PF disse não ter condições de fazê-lo

Atendendo a um pedido de Antonio Fernando de Souza, procurador-geral da República, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, autorizou a quebra do sigilo telefônico de um dos ramais da sede do Partido dos Trabalhadores em Brasília, conforme revelou com exclusividade epoca.com.br na semana passada. Quem usava esse ramal era Romênio Pereira, secretário de Assuntos Institucionais do PT. Suas conversas fazem parte do inquérito sobre fraudes em obras públicas em Minas Gerais com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. A polícia descobriu que Romênio mantinha contatos freqüentes com João Carlos Carvalho, que fora preso, acusado de liderar o esquema. Entre junho e novembro de 2007, João Carlos e Romênio Pereira se encontraram pelo menos sete vezes, na casa do lobista, em Belo Horizonte, ou no gabinete de Pereira, na sede do PT em Brasília.(...)

Leia estas e outras matérias na edição desta semana da revista Época

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