Em sua coluna de hoje, publicada em O Globo, com o
título “O Plano Perfeito”, o nobre jornalista lembra, numa rápida referência,
que Sarney foi presidente da Arena, que havia sido criada pelo Regime Militar,
após o golpe de 31 de março de 1964. Historicamente esse foi um período importante
na carreira política do senador José Sarney, dando-lhe oportunidade de influir
significativamente no processo de redemocratização do País. De fato, o senador
José Sarney foi presidente da extinta ARENA, mas isso só ocorreu em 1979.
Sarney iniciava seu segundo mandato de senador eleito pelo Maranhão e a
Presidência da Arena era seu primeiro cargo, como dirigente partidário, no
regime militar. No ano anterior, mais precisamente em dezembro, o senador
Sarney foi relator da Emenda Constitucional nº 11 que extinguia todos os Atos
Institucionais, inclusive o AI-5 e, em 1979, já com Sarney na presidência da
Arena, o processo de flexibilização do regime militar se consolidou, inclusive
com a promulgação, em agosto, da Lei da Anistia, assinada pelo então presidente
João Figueiredo. Sobre a posse de Sarney como presidente da Arena, o
conceituado jornalista Carlos Castello Branco, que assinava uma coluna diária
sobre política no Jornal do Brasil, comentou “a difícil missão de Sarney”. No
artigo intitulado “Salvar a Arena”, Castelinho – como era carinhosamente
chamado – escreveu: “Dirigir a Arena tem sido até aqui, relativamente fácil, na
medida em que o governo pedia do seu partido apenas apoio, fidelidade e
submissão às políticas adotadas. Hoje com o avanço das aberturas, já não será
tão fácil manter o nível de obediência obtido desde o Ato Institucional nº 2 e
consolidado a partir do Ato nº5”. No final de 1979, Sarney participou
ativamente das votações no Congresso para a aprovação da emenda que extinguiu a
ARENA e o MDB e restabeleceu a pluralidade partidária. Surgiram então o PMDB, o
PDS, o PT, PP, o PTB e o PDT. Brizola, que havia retornado ao País beneficiado
pela Lei da Anistia, criou o PDT. O PP não vingou e acabou sendo extinto.
Tancredo Neves, com a extinção do PP, filiou-se ao PMDB. Sarney ajudou a
aprovar a emenda constitucional que restabeleceu eleições diretas para
governador a partir de 1982 e extinguiu a figura do senador nomeado,
popularmente denominados “senadores biônicos”.
Fernando Cesar Mesquita
Secretário de Comunicação Social do Senado Federal
Nenhum comentário:
Postar um comentário