terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cartas à imprensa

Data:05.10.12
Veículo:O Globo e O Estado de S.Paulo


O plano perfeito

Nelson Motta

E se Roberto Jefferson não tivesse denunciado o mensalão, como estaria o Brasil hoje? Pelo que o julgamento do Supremo Tribunal Federal está provando, o PT teria a maior e mais fiel base de apoio do Ocidente, maior até do que a velha Arena da ditadura, presidida por Sarney. Além dos cargos e boquinhas de sempre, os partidos aliados teriam suas despesas de campanha bancadas pelo PT. Assim, tanto nas votações no Congresso como nas eleições, não seria uma coalizão, mas um rolo compressor. A democracia perfeita de Lula e Dirceu. (...)


Presidência do Senado
Ao colunista Nelson Motta: ao presidir a Arena, Sarney pôde influir significativamente na redemocratização do país


Em sua coluna de hoje, publicada em O Globo, com o título “O Plano Perfeito”, o nobre jornalista lembra, numa rápida referência, que Sarney foi presidente da Arena, que havia sido criada pelo Regime Militar, após o golpe de 31 de março de 1964. Historicamente esse foi um período importante na carreira política do senador José Sarney, dando-lhe oportunidade de influir significativamente no processo de redemocratização do País. De fato, o senador José Sarney foi presidente da extinta ARENA, mas isso só ocorreu em 1979. Sarney iniciava seu segundo mandato de senador eleito pelo Maranhão e a Presidência da Arena era seu primeiro cargo, como dirigente partidário, no regime militar. No ano anterior, mais precisamente em dezembro, o senador Sarney foi relator da Emenda Constitucional nº 11 que extinguia todos os Atos Institucionais, inclusive o AI-5 e, em 1979, já com Sarney na presidência da Arena, o processo de flexibilização do regime militar se consolidou, inclusive com a promulgação, em agosto, da Lei da Anistia, assinada pelo então presidente João Figueiredo. Sobre a posse de Sarney como presidente da Arena, o conceituado jornalista Carlos Castello Branco, que assinava uma coluna diária sobre política no Jornal do Brasil, comentou “a difícil missão de Sarney”. No artigo intitulado “Salvar a Arena”, Castelinho – como era carinhosamente chamado – escreveu: “Dirigir a Arena tem sido até aqui, relativamente fácil, na medida em que o governo pedia do seu partido apenas apoio, fidelidade e submissão às políticas adotadas. Hoje com o avanço das aberturas, já não será tão fácil manter o nível de obediência obtido desde o Ato Institucional nº 2 e consolidado a partir do Ato nº5”. No final de 1979, Sarney participou ativamente das votações no Congresso para a aprovação da emenda que extinguiu a ARENA e o MDB e restabeleceu a pluralidade partidária. Surgiram então o PMDB, o PDS, o PT, PP, o PTB e o PDT. Brizola, que havia retornado ao País beneficiado pela Lei da Anistia, criou o PDT. O PP não vingou e acabou sendo extinto. Tancredo Neves, com a extinção do PP, filiou-se ao PMDB. Sarney ajudou a aprovar a emenda constitucional que restabeleceu eleições diretas para governador a partir de 1982 e extinguiu a figura do senador nomeado, popularmente denominados “senadores biônicos”.

Fernando Cesar Mesquita

Secretário de Comunicação Social do Senado Federal

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