terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Jornal do Dia

Entre os presidentes, Sarney é o único que se mantem no poder

Janderson Cantanhede

O Brasil vive sob o comando do seu 35º presidente, porém, nenhum mostrou tanta influência política quanto o atual presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB).

Luis Inácio Lula da Silva (PT) é o sexto presidente após o militarismo, antecedido por Tancredo Neves (PMDB), José Sarney (PMDB/ 1985 a 1990), Fernando Collor (PRN/ 1990 a 1992), Itamar Franco (PRN/ 1992 a 1995) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB/ 1995 a 2003). Porém, entre todos, Sarney vem se mostrando um político exitoso.
O historiador Marco Antonio Villa, professor do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos, analisa a trajetória de Sarney e defende que uma das características de sua força política - regional e nacionalmente - é jogo minimalista travado pelo poder local com o central. " Ele consegue vender, se relacionar bem, tem essa forte presença nacional de décadas. Sarney é hoje o cacique mais exitoso da política brasileira, em termos de longevidade" , afirma.

Trajetória - Ao longo de sua carreira política, foi diversas vezes deputado, senador pelo Maranhão entre 1971 e 1985, governador do Maranhão entre 1966 e 1971 e Presidente da República. Já integrou a UDN, foi líder do governo Jânio Quadros na Câmara dos Deputados, foi presidente da ARENA e do PDS, e posteriormente filiou-se ao PMDB.
Após a transmissão do cargo de presidente a Fernando Collor de Melo, Sarney transferiu seu domicílio eleitoral para o então recém-criado estado do Amapá, antigo território, e candidatou-se ao Senado Federal. Vencendo todos os pleitos para o Senado nos quais concorreu (1990, 1998 e 2006) desde então, é representante do Amapá no Senado há dezesseis anos.
Nas eleições de 2006, Sarney venceu o pleito e manteve-se no Senado Federal com 53,8% dos votos válidos, contra 43,5% da segunda colocada, Maria Cristina Almeida (PSB). Hoje, é presidente do Senado Federal do Brasil, pela terceira vez. Sarney foi eleito com 49 dos 81 votos dos senadores, derrotando o adversário do PT, Tião Viana.

Diferença - A trajetória de José Sarney é bem diferente dos outros cinco últimos presidentes da República, que assinaram seus nomes nos livros da Presidência, porém, não mostraram tanta desenvoltura após deixar o Palácio do Planalto.
O governo de Fernando Collor de Mello foi marcado pela implementação do Plano Collor, pela abertura do mercado nacional às importações e pelo início do Programa Nacional de Desestatização.
Renunciou ao cargo na tentativa de evitar um processo de impeachment fundamentado em acusações de corrupção. Embora tenha renunciado, Fernando Collor teve seus direitos cassados por oito anos por determinação do Senado Federal, e só foi eleito novamente para cargo público em 2006, tomando posse como senador por Alagoas em 2007.
De Collor a Itamar - Em 1992, quando Collor sofreu o processo de impeachment pelo Congresso Nacional, Itamar assumiu interinamente a presidência em 2 de outubro de 1992, sendo formalmente aclamado presidente em 29 de dezembro de 1992, quando Collor renunciou ao cargo.
Nessa época, o Brasil estava no meio de uma grave crise econômica, tendo a inflação chegado a 1100% em 1992, e alcançado quase 6000% no ano seguinte. Itamar trocou de ministros da economia várias vezes, até que Fernando Henrique Cardoso assumisse o Ministério da Fazenda.
Em fevereiro de 1994, o governo Itamar lançou o Plano Real, elaborado pelo Ministério da Fazenda a partir de idealização do economista Edmar Bacha, que estabilizou a economia e acabou com a crise hiperinflacionária. Beneficiado pelo sucesso do plano, Fernando Henrique Cardoso passou a ser o candidato oficial à sucessão de Itamar, e foi eleito presidente em outubro de 1994, assumindo a presidência em 1 de janeiro de 1995.
Em 2006, Itamar tentou se candidatar a presidente da República pelo PMDB, competindo pela indicação do partido com Anthony Garotinho, o ex-governador do Rio de Janeiro. Porém, no dia 22 de maio, anunciou a sua desistência e a sua intenção de disputar uma vaga no Senado Federal. Acabou perdendo a indicação do PMDB de Minas Gerais para o Senado para Newton Cardoso (líder das pesquisas no início, mas que sofreu uma derrota às vésperas das eleições). Com isso, pode ter se aposentado da política.
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