segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Said Barbosa Dib

Crise faz “The Economist” virar “Small Newspapers”


A crise chegou à imprensa mundial. Com falta crônica de crédito, mudanças preocupantes estão ocorrendo. Veículos tradicionais, como o Le Monde, o Washington Post, o The New York Times, The Economist e El Pais , estão sem liquidez até para pagar empregados. É a realidade batendo à porta da “liberdade de expressão”. E o irônico é que quase todas estas publicações foram justamente apologistas da desregulamentação dos mercados mundiais, fator principal da atual crise financeira. O fato é que estão absolutamente sem anunciantes. E os anúncios representam mais de 80% de seus faturamentos. O valor das vendas nas bancas, como no Brasil, há muito não significa quase nada, menos de 2%. Na França, jornalistas e grandes barões da imprensa (les patrons de presse) resolveram pedir ajuda ao governo. O presidente Sarkozy, em outubro passado, não vacilou. Convocou logo os "Estados Gerais da Imprensa", fórum governamental para discutir o salvamento da mídia impressa. Os jornalistas mais independentes já estão com os olhos e ouvidos bem abertos, calculando o preço que a ajuda custará. Na Inglaterra, tradicionalmente mais liberal, há ainda certa resistência com relação a uma possível ajuda do Estado. Mas, a alternativa que estão trilhando pode ser muito mais perigosa para a democracia: a ampliação da venda de espaços não apenas para empresas de comércio, indústria e finanças, mas também para anunciantes de todo o mundo, politicamente engajados em nebulosos interesses. Ongs pilantras, narco-terroristas, governos corruptos do terceiro mundo e traficantes de armas, estão encontrando espaço abundante nos grandes jornais. Matérias de todas as partes do mundo, mostrando conflitos localizados e que nunca foram do interesse dos grandes jornais, começaram a ser publicadas quase todas as semanas. São matérias pagas em espaços onde não se pode identificar exatamente se são em seções de opinião ou matérias realmente jornalísticas. Na Inglaterra, o tradicional “The Economist”, panteão máximo do neoliberalismo, é uma das maiores vítimas da crise que ajudou a construir. Hoje o jornal encontra-se em decadência. Está partindo para o desespero e aceitando verdadeiro arrendamento de seus espaços, não só publicitários, mas também nas seções de opinião e até nas matérias principais. Na sexta-feira, por exemplo, resolveu ser o porta voz do atual governo do estado do Maranhão, que está “sub judice”, para atingir ao senador José Sarney e desviar a atenção do público do que realmente importa para a Justiça: a compra deslavada de votos. A matéria, Where dinosaurs still roam ("Onde dinossauros ainda vagam") é cópia exata de artigos assinados por José Reinaldo Tavares, que podem ser encontrados do seu blog; e da eterna ladainha do “Jornal Pequeno”, da família Borgéa, do Maranhão, contra a família Sarney. São exatamente os mesmos argumentos, os mesmos erros, a mesma cantilena. O jornal inglês apenas traduziu a panfletagem e mandou bala. Curiosamente, isto aconteceu na sexta-feira, exatamente um dia após a assessoria do Tribunal Superior Eleitoral informar que o ministro Felix Fischer pretende levar o seu voto-vista ao plenário na sessão desta terça-feira. O processo contra Jackson começou a ser julgado em dezembro passado. No momento, há um voto pela cassação. O subprocurador-geral da República, que atua como procurador eleitoral no TSE, apresentou “Parecer” circunstanciado, em que ressaltou as provas contra Jackson por compra de votos, abuso do poder e uso da máquina administrativa em seu favor.O ministro Eros Grau, relator do processo, rechaçou as argumentações dos advogados de Jackson Lago e deixou claro: “Essas quizilas (rixas, brigas) regionais não estão em julgamento. Nos prendemos às provas dos autos”, disse ele, para apresentar o primeiro voto pela cassação de Jackson e Luiz Porto e imediata posse de Roseana. Para Eros Grau, José Reinaldo Tavares, então governador do Estado, ingressou de forma ostensiva na campanha, divulgando publicamente apoio político a Jackson Lago e Edson Vidigal [ambos candidatos ao governo], chegando mesmo a difundir opinião desfavorável à candidata Roseana e contrária ao nome da família Sarney. Consta dos autos, a fl. 49 do Anexo 3, manifestação pública do governador à época de convenção do PSDB, anunciando o uso da máquina administrativa em favor dos recorridos, nestes termos: “E não adianta continuar me batendo porque, primeiro, eu vou ficar até o último dia desse governo prá ajudar a montar a chapa, prá ajudar na estrutura, prá vencer esse pessoal (...).”O fato é que, como destaca hoje Cláudio Humberto, em sua coluna, “em vez de defenderem Jackson Lago, seus aliados preferem culpar José Sarney, presidente do Senado, chamando o processo de ´armação`”. Com a campanha irresponsável da “Nova Balaiada” e o apoio de jornais estrangeiros decadentes, Jackson Lago, que sabe que violentou a vontade popular, quer ser a versão reduzida de Hugo Chaves, tentando enquadrar a Justiça brasileira, detonar com o Estado Democrático de Direito e provocar o caos no Maranhão. Resta saber se, enquanto tem o controle do orçamento do estado, está gastando dinheiro público para ajudar ao “Jornal Pequeno” da Inglaterra.

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